3 de abr. de 2011






Papa barra canonização de José Alencar
01/04/2011 13:12 | Categoria: Internacional

VATICANO - O papa Bento XVI protestou ontem contra o que classificou de "idolatria" de José Alencar. "Está certo que o falecido vice-presidente atravessou a vida pública sem se envolver em escândalos de corrupção. Mas, apesar dos reiterados pedidos, não posso classificar sua lisura como milagre", disse o sumo pontífice. "Além disso, existe uma liminar em vigor que só reconhece um São José no Brasil: o São Sarney do Pericumã do Maranhão".
Sua Santidade admitiu que José de Alencar "enfrentou o câncer com raro desassombro, e também com as centenas de milhares de dólares que lhe garantiram um tratamento excelente". Mas ressaltou que "em matéria de bigode, o Sarney dá de dez no Alencar".
Fontes ligadas ao Bispo Macedo dizem que Bento XVI interrompeu o processo de canonização de Alencar porque São Sarney prometeu uma diretoria do Santo Senado a Hans Ratzinger, um sobrinho de Sua Santidade que mora na Santa Baviera.
Ao fim do crepúsculo, um teólogo marxista publicou, em seu twitter, uma polêmica mensagem: "A maldição que Barrabás lança sobre seu neto, Canaã Roriz, respinga sobre o Planalto Central, daí a fome por cargos, surtos homofóbicos e as guerras éticas!".
Convidado a opinar sobre o tema, o deputado Jair Bolsonaro declarou que "esse negócio de homem idolatrar outro homem é coisa de frutinha".

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Após 6 anos, confirmada a existência do mensalão
BRASÍLIA - Relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de seis anos de investigação, a PF concluiu que o Fundo Visanet, com participação do Banco do Brasil, foi uma das principais fontes de financiamento do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. Com 332 páginas, o documento da PF, divulgado pela revista "Época", joga por terra a pretensão do ex-presidente Lula de provar que o mensalão nunca existiu e que seria uma farsa montada pela oposição.
O relatório da PF demonstra que, dos cerca de R$ 350 milhões recebidos do governo Lula pelas empresas de Valério, os recursos que mais se destinaram aos pagamentos políticos tinham como origem o fundo Visanet. As investigações da PF confirmaram que o segurança Freud Godoy, que trabalhou com Lula nas campanhas presidenciais de 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do esquema do valerioduto, conforme revelou o Estado, em setembro de 2006. A novidade é que Freud contou à PF que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência - estabelecendo uma ligação próxima de Lula com o mensalão. No depoimento, Freud narrou que o dinheiro serviu para cobrir parte dos R$ 115 mil que lhe eram devidos pelo PT.
O relatório da PF apontou o envolvimento no esquema do mensalão, direta ou indiretamente, de políticos como o hoje ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, do PT. Rastreando as contas do valerioduto, os investigadores comprovaram que Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, recebeu um cheque de R$ 247 mil de uma das contas da SMP&B no Banco Rural. As investigações confirmaram também a participação de mais sete deputados federais, entre eles Jaqueline Roriz (PMN-DF), Lincoln Portela (PR- MG) e Benedita da Silva (PT-RJ), dois ex-senadores e o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga.
         Segundo a revista "Época", a PF também confirmou que o banqueiro Daniel Dantas tentou mesmo garantir o apoio do governo petista por intermédio de dinheiro enviado às empresas de Marcos Valério. Dantas teria recebido um pedido de ajuda financeira no valor de US$ 50 milhões depois de se reunir com o então ministro da Casa Civil José Dirceu. Pouco antes de o mensalão vir a público, uma das empresas controladas por Dantas fechou contratos com Valério, apenas para que houvesse um modo legal de depositar o dinheiro. De acordo com o relatório da PF, houve tempo suficiente para que R$ 3,6 milhões fossem repassados ao publicitário.
Ninho de Cobras
Luiz (Osório) Marinho Silva – Coronel da reserva do Exército
Em 01 de abril de 2011 
 
Não acredito em cobras venenosas, mesmo em cativeiro e fartamente alimentadas. Algum dia, o bote fatal será dado e a vítima fulminada. 
Não acredito, principalmente, nas cobras tidas como não venenosas e que gostam de se enroscar, como se estivessem acariciando a vítima que, iludida, nem perceberá o esmagamento lento e progressivo que a asfixiará.
Hoje, todos dizem, em certo país - inclusive as possíveis vítimas, que as cobras venenosas não mais existem. Não há nem mais lembranças das picadas traiçoeiras, mesmo as cometidas na calada da noite, contra vítimas que morreram enquanto dormiam, recebendo pelas costas o veneno fatal. Isso foi há muito tempo. 
Hoje, todos dizem, também, que não há mais cobras venenosas que antes se ajuntavam, se escondiam nos esgotos e tocas e, de repente, atacavam nos campos e nas cidades. Investidas cruéis que causavam dor, angústia e morte aos habitantes daquela terra, que buscavam, aturdidos, a proteção dos homens de farda. Esses, em nome da própria sobrevivência das pessoas daquele país, partiram com dedicação e bravura para o difícil confronto, tendo muitos deles sucumbido perante ataques traiçoeiros daqueles animais venenosos. Algumas cobras também morreram, o que seria inevitável nesse tipo de enfrentamento. Várias escaparam, abandonaram aquele país e, bem acolhidas em outras terras, voltaram depois gordas e com peles reluzentes. Outras tantas foram colocadas em cativeiro e depois, de pouco tempo, soltas nos campos e nas cidades, nas escolas, nas fábricas, nas igrejas, nas empresas de comunicação, nos cinemas, nos teatros, nas mansões e nos palácios.
Dizem hoje que as cobras venenosas do passado sofreram violentas perseguições. Foram mortas, presas, torturadas, esmagadas. Dizem que elas não queriam picar as pessoas, envenená-las, que elas só queriam viver em um lugar livre e dividir esse sonho de liberdade com todos os humanos. E que foram obrigadas a usarem os seus venenos somente na tentativa de conquistarem essa liberdade. Peçonha que elas não mais guardam em suas presas, pois se encontram bem alimentadas e protegidas pelos atuais donos do poder. E parece que os direitos humanos, tão propagados nos dias atuais, foram feitos apenas para os répteis peçonhentos, enquanto milhares de pessoas, naquele país, continuam a morrer, vítimas de brutal violência, de estradas deploráveis, de hospitais em petição de miséria. E a morrer, principalmente, em suas consciências cívicas, em seus deveres e direitos de cidadãos.
Hoje, aqueles fatos são contados de maneira diferente. Nas escolas, nas redações de jornais e revistas, nas televisões, na internet, nos púlpitos de muitas igrejas, nas esquinas das ruas e nos botequins, nos cabarés, nas conversas de bêbados e intelectuais. Quem sabe, até mesmo em algumas casas dos homens de farda. Hoje, criam-se comissões para impor a verdade das cobras venenosas. Aqueles homens que as enfrentaram são retratados como carrascos, assassinos, ignóbeis. Por outro lado, as serpentes do passado que parecem se multiplicar dia a dia e que convivem, hoje, até mesmo com as aves de rapina, em perfeita simbiose, são veneradas como representantes da divindade e consideradas como vítimas de atroz repressão.  
Aqueles homens que contra elas lutaram e, em nome de nobres ideais, as venceram, que usavam fardas e possuíam armas para a defesa de sua gente, encontram-se hoje, a cada dia, mais desarmados e ultrajados. E parecem conformados com essa situação, em nome das lições que lhes ensinaram, da disciplina, dos graus hierárquicos e do respeito aos chefes. Não se deseja inocular nos homens de farda o maldito veneno da discórdia e da descrença, porém em tudo na vida há um limite. Nesse caso, ele é representado pela honra dos que juraram defender, até mesmo com o sacrifício da própria vida, os valores sagrados da verdadeira liberdade, da justiça e do estado de direito da terra natal, pelos quais muitos morreram e cujos exemplos jamais serão apagados da verdadeira História da Instituição que os acolheu e que deles tudo cobrou: dedicação integral, disciplina, conduta exemplar, cumprimento de ordens, lealdade e, até mesmo, o próprio sangue derramado.
Um dos chefes desses homens de farda chegou a dizer, certo dia, que a Instituição a que pertenciam, estaria sempre solidária com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem às cobras venenosas, de armas na mão, para que o povo daquela terra não sucumbisse ao terrível veneno, que, naquela época, já fizera milhões de vítimas em tantos lugares do mundo.
Hoje, páginas dessa luta foram rasgadas da História desses homens de farda. Hoje, prevalecem o silêncio e o esquecimento.
 Ao contrário do que dizia um dos grandes chefes daquela gente armada, a farda, hoje, parece abafar o cidadão no peito do soldado. 
BOPE - Você sabe a diferença ?

Hora de Mudanças
Rodrigo Constantino, O GLOBO
“Não é da natureza da política que os melhores homens devem ser eleitos; os melhores homens não querem governar seus semelhantes”. (George MacDonald)

     Qualquer brasileiro tem plena consciência da extrema ineficiência do setor público. O desperdício salta aos olhos, a lentidão é irritante, a arrogância dos funcionários costuma ser a regra e a falta de compromisso com os pagadores de impostos é total. O governo gasta muito, e gasta mal. O resultado é conhecido: uma das maiores cargas tributárias do mundo, com péssimos serviços públicos. Impostos escandinavos para serviços africanos.
 
     Diante deste lamentável quadro, alguns empresários têm tido a louvável iniciativa de lutar por um choque de gestão no setor público. A idéia básica é levar para o governo os princípios de gestão da iniciativa privada, tais como meritocracia, transparência e foco no resultado. O Movimento Brasil Eficiente, o Instituto de Desenvolvimento Gerencial, o Partido Novo e outros projetos da mesma natureza enfrentam este enorme desafio, e merecem todo apoio da população. Há muito que ser feito para reduzir a ineficiência do governo brasileiro.
 
     Dito isso, é preciso lembrar que estas iniciativas são necessárias, mas não suficientes. Afinal, existem características inerentes ao setor público que dificultam muito a execução das tarefas de forma eficiente. Os mecanismos de incentivo são perversos: o dinheiro é da “viúva”, o horizonte acaba sendo de curto prazo devido às eleições, e os grupos de interesse se organizam em busca de privilégios, enquanto os custos ficam dispersos em toda a sociedade.
 
     Devido ao grau absurdo em que chegou a incompetência do governo, é possível entregar ótimos resultados com este choque de gestão pregado pelos empresários. Mas para voos mais altos, que colocariam o Brasil finalmente na rota de um país desenvolvido, será preciso fazer muito mais. Reformas estruturais, como a previdenciária, a trabalhista e a tributária, são essenciais no processo de mudança. E, talvez o mais relevante no longo prazo: a mentalidade terá que mudar.
 
     O Brasil é vítima da hegemonia de esquerda no debate político. Há uma espécie de monopólio cultural, que forçou a migração de todos os partidos para o discurso social-democrata retrógrado. Não existe uma oposição verdadeira, com um projeto liberal alternativo. Os empresários são vistos com maus olhos, o lucro é quase um pecado, enquanto o paternalismo estatal predomina. O “estado babá”, que pretende cuidar do povo como se este fosse formado por um bando de crianças incapazes, acabou conquistando o apoio de muitos.
 
     Enquanto esta ideologia atrasada não for mudada, qualquer choque de gestão terá alcance limitado. Uma elite que se sente culpada pelo sucesso será sempre presa fácil nas mãos de demagogos. Populistas de plantão se fartam numa sociedade que ataca o sucesso individual e enaltece o coletivismo por meio do governo. No Brasil, ainda rende votos “acusar” o adversário de defender a privatização. Este retrato do atraso ideológico demonstra como é importante lutar no campo das idéias também.
 
     O pensador inglês Edmund Burke escreveu: “Mude as idéias, e você poderá mudar o curso da história”. Victor Hugo disse que “nada neste mundo é tão poderoso como uma idéia cuja hora é chegada”. O economista austríaco Mises constatou que “idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão”. Infelizmente, a maioria dos empresários brasileiros tem pouca fé no poder das idéias. Talvez fosse o momento de dar mais atenção a esses pensadores.
 
     O excessivo pragmatismo deixa de lado importantes valores e ideais, e estes são fundamentais para o sucesso sustentável de uma sociedade. O nazismo e o comunismo não seriam menos monstruosos se tivessem obtido resultados econômicos satisfatórios. Os fins não justificam quaisquer meios. Claro que o modelo político brasileiro não pode ser comparado a estes regimes totalitários nefastos. Mas existem inmeros aspectos que precisam urgentemente de reforma, e não apenas pelos seus resultados econômicos. 

     Acima disso está a soberania individual. O indivíduo deve estar protegido da “tirania da maioria” exercida por meio de um governo demasiadamente intervencionista. Nosso governo costuma tratar as pessoas como súditos, não como cidadãos. Está mais do que na hora de mudar isso. O verdadeiro choque de gestão que o país precisa é retirar diversos obstáculos criados pelo governo e deixar o indivíduo livre para assumir as rédeas de sua própria vida. Somente depois disso seremos cidadãos de verdade.