16 de abr. de 2012

Mensalão - II

Mensalão - I



O PAÍS QUER SABER

30/03/2012
Júlia Rodrigues 
Depois do trem-bala invisível, o governo inventa o navio que não navega
Em 7 de maio de 2010, ao lado da sucessora que escolhera e do governador pernambucano Eduardo Campos, o presidente Lula estrelou no Porto de Suape um comício convocado para festejar muito mais que o lançamento de um navio: primeiro a ser construído no país em 14 anos, o petroleiro João Cândido fora promovido a símbolo da ressurreição da indústria naval brasileira. Produzida pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), incorporada ao Programa de Modernização e Expansão de Frota da Transperto (Promef) e incluída no ranking das proezas históricas do PAC, a embarcação com 274 metros de comprimento e capacidade para carregar até um milhão de barris de petróleo havia consumido a bolada de R$ 336 milhões – o dobro do valor orçado no mercado internacional.

Destacavam-se na plateia operários enfeitados com adesivos que registravam sua participação no parto de mais uma façanha do Brasil Maravilha. Seria uma festa perfeita se o colosso batizado em homenagem ao marinheiro que liderou em 1910 a Revolta da Chibata não tivesse colidido com a pressa dos políticos e a incompetência dos técnicos. Assim que o comício terminou, o petroleiro foi recolhido ao estaleiro antes que afundasse ─ e nunca mais tentou flutuar na superfície do Atlântico.

O vistoso casco do João Cândido camuflava soldas defeituosas e tubulações que não se encaixavam, além de um rombo cujas dimensões prenunciavam o desastre iminente. Se permanecesse mais meia hora no mar, Lula seria transformado no primeiro presidente a inaugurar um naufrágio. Estacionado no litoral pernambucano desde o dia do nascimento, nem por isso o navio deixou de percorrer o país inteiro. Durante a campanha presidencial, transportado pela imaginação da candidata Dilma Rousseff, fez escala em todos os palanques e foi apresentado ao eleitorado como mais uma realização da supergerente que Lula inventou.

A assessoria de imprensa da Transpetro se limita a informar que não sabe quando o João Cândido vai navegar de verdade. O Estaleiro Atlântico Sul, criado com dinheiro dos pagadores de impostos, não tem nada a dizer. Nem sobre o petroleiro avariado nem sobre os outros 21 encomendados pelo governo. No fim de 2011, o EAS adiou pela terceira vez a entrega do navio. A Petrobras, que controla a Transpetro, alegou que os defeitos de fabricação só podem ser consertados no exterior.

Quando o presidente era Nilo Peçanha, João Cândido comandou uma rebelião que exigia a abolição dos castigos físicos impostos aos marinheiros. Passados 102 anos, Dilma e Lula resolveram castigá-lo moralmente com a associação de seu nome a outro espanto da Era da Mediocridade: depois do trem-bala invisível, o governo inventou o navio que não navega.



Obama calls for through inquiry in Secret Service prostitution scandal
By David Nakamura and Ed O’Keefe, Published: April 15


President Obama said Sunday that he wants the investigation of the prostitution scandalthat led 11 U.S. Secret Service agents to be returned home from Cartagena, Colombia, where they had been sent to provide protection for him, to be thorough and rigorous.


During a news conference Sunday at the conclusion of the Summit of the Americas, Obama said he expects all agents to conduct themselves with “dignity and probity” and all U.S. personnel to “observe the highest standards” when serving abroad.



If the allegations that the men brought prostitutes to their hotel rooms on Wednesday prove true, Obama said, “then, of course, I’ll be angry.”



“We’re representing the people of the United States,” he said.



Obama’s remarks were his first about the growing scandal. The Secret Service placed the men on administrative leave pending an internal investigation. The agents — who were removed from Cartagena on Thursday and replaced with a new team shortly before Obama’s arrival Friday — were returned to Washington and interviewed by the Office of Professional Responsibility, the agency’s internal affairs unit.



Meanwhile, the Defense Department has ordered its own inquiry after determining that five of its personnel, who were staying at the same hotel as the Secret Service agents, violated curfew on Wednesday night. All of the U.S. personnel were part of Obama’s advance team that was preparing logistics and security for his arrival.



The alleged misconduct came to light after one of the agents became involved in a dispute with a woman Thursday morning over a payment, and Colombian police reported the matter to the U.S. Embassy.



The controversy has shifted some attention away from Obama’s trip to the economic summit, at least in the United States, where the media have focused on the accusations of heavy drinking and womanizing.



Obama was asked about the matter by a reporter in his joint news conference with Colombian President Juan Manuel Santos. Obama made a point to praise the Secret Service in general, emphasizing that the agency does “very hard work under very stressful circumstances.”



“I’m very grateful for what they do,” he said. “I will wait until the full investigation [is completed] until I pass final judgment.”



Lawmakers in Washington were pressing Sunday for more details about the investigation.



House Oversight and Government Reform Committee Chairman Darrell Issa (R-Calif.), whose panel maintains jurisdiction over all federal agencies, said he has reason to believe that more than 11 agents were involved.



“We think the number might be higher, and we’re asking for the exact amount of all the people who, quote, were involved,” he said on CBS’s “Face the Nation.”



Issa did not elaborate on that statement, and his office did not respond to follow-up questions from The Washington Post.



On the talk show, Issa also said: “This kind of a breach is a breach in the federal workforce’s most elite protective unit, and they don’t just protect the president, of course; they protect the Cabinet members, the vice president, the first family, candidates. So when you look at this, you realize if you can have this kind of breakdown, one that could lead to blackmail . . . then we’ve got to ask: Where are the systems in place to prevent this in the future?”



The Secret Service agents allegedly involved are a mix of special agents, who provide personal protection for the president and other high-level officials, and members of the uniformed division, who handle logistical support and building security, officials briefed on the investigation have said.



Jon Adler, president of the Federal Law Enforcement Officers Association, said a lawyer representing the agents did not want to discuss the matter with reporters until it had been adjudicated.

Staff writer Joe Davidson contributed to this report.

O BRASIL E O SEU INVENCÍVEL EXÉRCITO
Sérgio Pinto Monteiro*

Em 15 de fevereiro de 1630 o nordeste brasileiro começava a viver o pesadelo da invasão dos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais. Nesse dia, a cidade de Recife acordou sob o bombardeio da esquadra do Almirante Hendrick Loncq, formada por 50 navios e cerca de 7.000 homens.

Era a segunda tentativa dos batavos de se apossar do território brasileiro. Seis anos antes, em 8 de maio de 1624, atacaram e ocuparam Salvador. Mas por pouco tempo. A reação luso-brasileira, apoiada pela população, não se fez esperar. Ainda que militarmente inferiorizadas, nossas forças reagiram de imediato, inicialmente com uma intensa guerra de emboscadas. Na continuidade, a metrópole portuguesa, apoiada pela Espanha, mandou ao Brasil uma poderosa esquadra de 52 navios e 12.000 homens, entre soldados e marinheiros portugueses e espanhóis, que expulsou os holandeses em 30 de abril de 1625, menos de um ano após início da ocupação.

MATIAS DE ALBUQUERQUE
A posição estratégica de Recife, a excelência de seu porto natural, a proximidade da Europa e da África e as fracas defesas locais proporcionaram ao inimigo condições favoráveis a uma nova e vitoriosa campanha, que colocou parte expressiva do nordeste brasileiro sob o domínio holandês por vinte e quatro anos.

Os pernambucanos mantiveram uma brava resistência ao invasor. Matias de Albuquerque proclamou para toda a Capitania a disposição de lutar até a morte. O inimigo, após conquistar Recife e Olinda, tratou de fortificar suas posições. Como na Bahia, nossa resistência era baseada principalmente em emboscadas. Hoje, diríamos que eram ações de comandos e forças especiais. Construímos em local estratégico, como baluarte visando impedir a penetração do adversário para o interior, a célebre fortificação do Arraial do Bom Jesus, que resistiu heroicamente por cinco anos às investidas dos batavos.

ARRAIAL DO BOM JESUS
A luta no mar também se intensificou. Em setembro de 1631, uma esquadra luso-espanhola partiu de Salvador com 20 navios de guerra conduzindo 1.000 soldados para o Arraial de Bom Jesus e outros 200, destinados à Paraíba. No trajeto houve o encontro com uma força de 16 galeões holandeses. Desencadeou-se, então, a violenta Batalha Naval de Abrolhos em que a nossa esquadra foi vitoriosa e os reforços puderam chegar aos destinos.

Com a restauração do trono português em fevereiro de 1641, a situação política européia modificou substancialmente o cenário da luta contra os holandeses no Brasil. Portugal e Holanda entraram em guerra com a Espanha. Eram, portanto, aliados na Europa. A conseqüência natural seria a cessação das hostilidades no Brasil. Celebraram, então, um armistício de dez anos, onde Portugal reconhecia a conquista, pela Holanda, dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e os batavos se comprometiam a não expandir suas ações para outras regiões do país.

ANTONIO DIAS CARDOSO
Apesar do armistício - desrespeitado por ambos os lados - os pernambucanos mantiveram a luta contra os invasores. D. João IV, rei de Portugal, velada e modestamente, manteve o apoio aos insurgentes nordestinos. De Salvador foi enviado o sargento-mor Antônio Dias Cardoso, exímio especialista em combate de guerrilhas, com a missão de organizar e treinar secretamente o exército luso-brasileiro, fortalecido com as tropas do índio Felipe Camarão e do negro Henrique Dias.

No dia 23 de maio de 1645, dezoito líderes da Insurreição Pernambucana assinaram um compromisso onde surge, pela primeira vez, a palavra pátria. Nesse histórico documento há também recomendações e providências que hoje seriam consideradas como uma verdadeira mobilização de Reservas:

“Nós, abaixo assinados, nos conjuramos e prometemos em serviço da liberdade, não faltar a todo o tempo que for necessário, com toda ajuda de fazendas e de pessoas, contra qualquer inimigo, em restauração da nossa pátria; para o que nos obrigamos a manter todo o segredo que nisto convém...”.

FELIPE CAMARÃO
Estava criado, segundo o mestre Capistrano de Abreu, o sentimento da existência nacional brasileira, que iria se fortalecer ao longo dos próximos dois séculos, até a Independência em 1822.

Paralelamente, surgia, consolidado, o Exército de Patriotas, formado pela fusão das três etnias - branca, negra e índia - com suas miscigenações. Nascia o Exército Brasileiro, democracia multirracial, sem discriminações nem preconceitos, sem cotas, numa pluralidade étnica e social fortalecida pela alma de combatente do nosso soldado.

Em 03 de agosto de 1645, no monte das Tabocas, ocorria o primeiro confronto entre o exército holandês e o exército dos patriotas, formado basicamente por civis pernambucanos. A astúcia do sargento-mor Antônio Dias Cardoso, atacando corajosamente com uma pequena fração de tropa e atraindo o inimigo para a estreita passagem do Tabocal, nos levou à vitória. Os holandeses tiveram mais de 100 mortos, retirando-se com muitos feridos para a região de Casa Forte, abandonando no terreno farta munição e armamento. Entre os patriotas, 33 mortos e 30 feridos. Em 10 de agosto, no aproveitamento do êxito, novamente vencemos os holandeses na batalha de Casa Forte.

HENRIQUE DIAS
A 24 de abril de 1646, em Tejucopapo, mulheres e adolescentes enfrentaram os holandeses com foices, porretes e vasilhames de água com pimenta malagueta. O inimigo, muito superior, conseguiu penetrar no pequeno fortim de pau a pique e matava friamente as mulheres combatentes quando chegaram reforços dos patriotas, colocando-os em fuga. Tejucopapo foi o episódio onde a mulher brasileira, armada, demonstrou a força do sentimento nativista que unia os pernambucanos.

Graças a novas tropas recebidas pelos batavos, os combates se prolongaram até 1648. Em março, os holandeses - sitiados em Recife - aportaram uma esquadra com 41 navios, grande quantidade de víveres e 6.000 soldados. Fortalecido, o inimigo comandado pelo tenente-general Von Schkoppe, decidiu romper o cerco e progredir em direção à Bahia. Assim, em 18 de abril, o exército holandês com 7.400 homens marchou no sentido Barreta-Guararapes, tendo como objetivo final apoderar-se do cabo de Santo Agostinho. 

O exército patriota, com 2.200 homens, deslocou-se para interceptar o invasor. O sargento-mor Antônio Dias Cardoso, como “soldado mais prático e experiente” sugeriu que o melhor campo de batalha seria o Boqueirão dos Guararapes. Na manhã de 19 de abril, primeiro domingo após a páscoa (pascoela), dia de Nossa Senhora dos Prazeres, Dias Cardoso, no comando de 200 homens, investiu contra a vanguarda inimiga para, em seguida, retrair em direção ao interior do Boqueirão onde o restante do nosso exército estava escondido, pronto para a batalha. 

ANDRÉ VIDAL DE NEGREIROS
Ao comando de “ás de espadas” os patriotas se lançaram sobre o inimigo. O terço (regimento) de Pernambuco, comandado por João Fernandes Vieira, auxiliado por Dias Cardoso, rompeu o inimigo nos alagados; os índios de Felipe Camarão assaltaram a ala direita dos holandeses; o terço dos negros de Henrique Dias atacou a ala esquerda, ficando as tropas de Vidal de Negreiros em reserva. Os batavos contra-atacaram com suas reservas de 1.200 homens, enquadrando o terço de Henrique Dias. Os patriotas, habilmente, lançaram a reserva de Vidal de Negreiros no momento adequado. Foram 4 horas de confronto, entre alagados e morros. 

Ao final, o exército holandês, derrotado, retirou-se com pesadas perdas - 1.038 combatentes entre mortos e feridos. Já os patriotas, tiveram 84 mortos e 400 feridos.

Menos de um ano depois, em 19 de fevereiro de 1649, patriotas e holandeses enfrentaram-se na segunda e derradeira Batalha dos Guararapes. Novamente derrotados, os batavos fugiram para Recife, ainda sob o seu controle, deixando para trás 927 mortos, 89 feridos e 428 prisioneiros, contra 45 patriotas mortos e 245 aprisionados.
A 14 de janeiro de 1654, o exército patriota atacou o último reduto holandês em Recife. Após dez dias de combates, Recife foi reconquistada. Em 26 de janeiro, na Campina da Taborda, os holandeses assinaram a rendição e retiraram todas as suas forças no Brasil.

As vitórias nas Batalhas dos Guararapes uniram, no nascedouro, os conceitos de pátria e exército. O mestre Pedro Calmon, ao enfatizar a influência das Guerras Holandesas na formação da nacionalidade brasileira, afirmou: “Pondo-se fora o holandês, metera-se no Brasil o brasileiro”.

O Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, representando o sentimento de suas dezoito Associações Regionais, saúda o Exército Brasileiro, legítimo guardião da integridade e soberania do nosso país, na data a ele consagrada - 19 de abril. A origem comum do sentimento de Pátria e de Exército como força militar organizada, criou laços indissolúveis entre o Brasil e as suas Forças Armadas. 

Das vitórias de Guararapes aos nossos dias, a Força Terrestre permanece invencível. Do patriota que expulsou o invasor holandês em 1648 - combatendo muitas vezes descalço, sem camisa, empunhando espadas, facões, arcos e lanças, a pé ou montado - ao soldado cibernético do século XXI, é o mesmo Exército. Seu braço forte protege. Sua mão amiga ampara. A sociedade brasileira nele confia, eis que sua presença histórica dignifica a nação. A nobreza de suas missões é tal, que os limites individuais frequentemente são ultrapassados pelo vigor da alma dos combatentes. 

Nada nem ninguém poderá derrotá-lo.

19 DE ABRIL - DIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO
“PARABÉNS EXÉRCITO BRASILEIRO”
NÓS SOMOS A TUA RESERVA, SEMPRE ATENTA E CADA VEZ MAIS FORTE

* o autor é historiador e Oficial da Reserva Não Remunerada do Exército. É presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, membro da Academia de História Militar Terrestre e do Instituto Campo-Grandense de Cultura. É autor do livro "O Resgate do Tenente Apollo" (Ed. CNOR - 2005)
Domingo 15 de abril de 2012

Sarney segue internado no Sírio-Libanês


O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), permanece internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após ser submetido a um cateterismo e uma angioplastia com a colocação de stent na madrugada deste domingo. Segundo boletim médico divulgado no início da tarde deste domingo, ele seguirá na UTI até esta terça-feira, mas deve permanecer internado durante uma semana. De acordo com o hospital, o estado do presidente do Senado saúde é estável. A presidente Dilma Roussef acompanha o estado de saúde de Sarney desde sábado e chegou a ligar para o cardiologista Roberto Kalil Filho, que é também médico da presidente. O ex-presidente Lula também ligou para saber como está Sarney. O presidente do Senado deu entrada no hospital no final da tarde de sábado, porque estava sentindo dores de cabeça muito fortes. 
     
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Lula e petistas
aumentam pressões sobre STF
pelo mensalão
CATIA SEABRA
FELIPE SELIGMAN
NATUZA NERY
BRASÍLIA - 
16/04/2012-05h52


Sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão. 

Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo. 


O medo dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano. 

Um dos petistas que participam da ofensiva disse à Folha que fez chegar a integrantes do STF a avaliação de que não há provas suficientes para condenação do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino. 

Na denúncia que deu origem ao processo do mensalão, Dirceu é apontado pela Procuradoria-Geral da República como chefe de um esquema que teria desviado recursos públicos para os partidos que apoiavam o governo Lula no Congresso. 

O foco mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do mensalão. 

Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo "sinais trocados" sobre o julgamento. 

Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso, por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no mensalão e hoje está afastado da política. 

À Folha Toffoli disse que não se considera impedido, mas que só tomará uma decisão quando o julgamento estiver marcado. "Ele não tem esse direito", disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo do ex-presidente. 

Segundo a Folha apurou, Lula já afirmou a ao menos dois ex-ministros de seu governo que não gostaria que o julgamento ocorresse neste ano por temer prejuízos aos candidatos que apoiará nas eleições municipais. Dos 11 integrantes do Supremo, seis foram nomeados por Lula. 

PRESSÃO JURÍDICA

Além da movimentação política, os ministros também passaram, nos último meses, a receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula. 

Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para tentar mais uma vez desmembrar o processo. 

Isso deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos aqueles que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles Dirceu e Genoino. 

O STF rejeitou a ideia em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo tribunal e a discussão foi proposta pelos advogados do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. 

Thomaz Bastos diz ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente antes do julgamento.

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15 de abr. de 2012

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LA CAMPANELLA
Liszt


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O desafio ao poder dos bancos

O Estado de S. Paulo - 15/04/2012

Pela primeira vez o governo brasileiro enfrenta o poderio dos bancos privados sem dispor de controle direto sobre os juros e num regime plenamente democrático. É esta a grande novidade da campanha empreendida pela presidente Dilma Rousseff contra o preço ultrajante dos financiamentos no mercado nacional. Sem poder legal para impor um freio à agiotagem, a autoridade recorre a meios indiretos e sem garantia de resultados, como o corte de juros pelas instituições sob controle estatal - a começar pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica. Se esse lance produzirá algum bom efeito só se saberá mais tarde. Mas o confronto está aberto e a primeira resposta dos banqueiros teve um ar de bravata. Em vez de propor ao governo um roteiro para redução de juros, o presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levou ao Ministério da Fazenda uma lista com 22 reivindicações.

Essa atitude foi - como era de esperar - mal recebida pela presidente e esse desagrado foi ecoado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os banqueiros, disse ele, têm condições para baixar o custo do dinheiro sem receber compensação do governo, porque sua margem de lucro é muito ampla e o setor é um campeão de rentabilidade. A economia brasileira, segundo o ministro, pode funcionar com juros muito mais baixos sem prejuízo para os bancos e sem diminuição dos impostos recolhidos pelo setor. Os banqueiros recusaram-se a piscar e o governo reagiu ao desafio.

O ministro tem razão quanto a três pontos: os juros são excessivos, a margem de lucro dos bancos é muito ampla e a rentabilidade do setor tem sido comprovada de forma quase ofensiva pelos gordos balanços publicados. A margem líquida representa quase um terço do spread - a diferença entre os juros pagos na captação de recursos e aqueles cobrados pela concessão de empréstimos. Em 2010, segundo relatório publicado em dezembro pelo Banco Central, a margem de ganho correspondeu a 32,7%. Impostos indiretos representaram 21,9%. Depósitos compulsórios, subsídios cruzados, encargos fiscais e Fundo Garantidor de Crédito somaram 4,1%. Custo administrativo, 12,6%. Inadimplência, 28,7%, mas o peso deste item diminuiu nos últimos anos. Provavelmente será ainda menor se o custo dos empréstimos chegar a níveis civilizados.

Os banqueiros podem ter alguma razão quando reclamam dos depósitos compulsórios muito grandes e do peso dos tributos. Mas, se esses componentes do spread forem reduzidos, nada garantirá o barateamento dos empréstimos. O resultado principal poderá ser um aumento da margem líquida dos bancos. Por que os banqueiros cortarão seus lucros, se as condições de mercado permitirem juros altos? Este é o problema real. O mercado bancário brasileiro é altamente concentrado e a competição entre as instituições é muito limitada. Vários movimentos de concentração ocorreram desde a segunda metade dos anos 60, com fusões, compras e quebras de bancos pequenos. Pode ter havido ganhos de escala e redução dos custos unitários dos serviços financeiros, mas o resultado principal foi sempre o aumento de poder dos maiores grupos.

O último grande surto concentrador começou com o Plano Real, nos anos 90, e o fim dos ganhos extraordinários proporcionados pela inflação. Em 1996, os 10 maiores bancos detinham 50,8% dos ativos do setor. Em 2010, 80,9%. Vários estudos mostraram os efeitos da concentração bancária sobre a concorrência. Os maiores grupos acabam sendo diferenciados não só pela dimensão de seus ativos, de suas operações e de suas redes de agências, mas também pela tecnologia e pelos serviços.

A concentração foi geralmente apoiada pelas autoridades financeiras e quase sempre malvista pelos funcionários encarregados da defesa da concorrência. O processo criou instituições mais sólidas, mas diminuiu a competição e gerou um enorme poder de controle dos próprios preços. Quebrar esse poder será uma tarefa complicada, talvez só realizável com uma nova legislação. A redução de juros dos bancos estatais poderá produzir algum efeito benéfico, mas dificilmente afetará a estrutura de poder no mercado bancário.

Taliban hits Kabul, other Afghanistan cities in rare coordinated attack

By , Javed Hamdard and Sayed SalahuddinUpdated: Sunday, April 15, 1:00 PM


KABUL — Insurgents attacked cities across eastern Afghanistan on Sunday, including three prominent targets in Kabul, in a rare coordinated attack spanning some of the country’s most important urban centers. The Taliban called the effort the beginning of its spring offensive.

By evening, as the attacks were still ongoing, at least 14 police officers and nine civilians had been wounded, according to the Interior Ministry.

“This is a message that our spring offensive has begun,” said Taliban spokesman Zabiullah Mujahid, who said the primary targets were western military and diplomatic installations.

In central Kabul, insurgents fired rocket-propelled grenades and rifles from an unfinished eight-story commercial building. From their perch, at least four men fired in the direction of the German Embassy and NATO’s military headquarters, both of which were just a few hundred yards from the attackers.

Less than an hour after the attack began, Afghan commandos and their NATO trainers entered the building that the insurgents were firing from. There were two large blast holes visible in the facade of the Kabul Star Hotel, frequented by westerners and wealthy Afghans, located just across the street from where the insurgents were firing. Seven hours later, after sunset, gunfire was still being exchanged.

A few miles away, another group of insurgents occupied a building across from the Afghan parliament, as well as another unfinished construction site, from which they targeted nearby Western military installations.

“Armed insurgents, including some suicide bombers, have taken control of buildings in these areas,” said Sediq Sediqi, an Interior Ministry spokesman.

At least one lawmaker, Mohammad Hamid Lalai Hamidzai of Kandahar, fired back at insurgents from the roof of the parliament building.

“I have four of my armed bodyguards. We are using my personal guns and we have exchanged fire with the attackers,” he said.

What made Sunday’s attack particularly brazen was the apparent coordination between insurgents in Kabul and beyond. Although the Taliban has successfully executed spectacular attacks in the capital before — including the protracted attack on the U.S. Embassy in September — insurgents have never attacked so many disparate targets simultaneously. In addition to the three Kabul targets, there were at least three other attacks in large cities across eastern Afghanistan.

Insurgents targeted a NATO base in Jalalabad, as well as Afghan installations, including a public university, in the capitals of Logar and Paktia provinces, according to officials.

In a statement released Sunday night, NATO played down the significance of the incidents, calling them “largely ineffective.”

“Afghan Crisis Response Units along with Afghan police and Army forces were deployed to repel the attacks that resulted in light casualties,” the statement said, “while killing or capturing many of the suicide attackers in a matter of hours.”

By early evening, Sediqi said, Afghan police had killed 19 insurgents. The National Directorate of Security, the country’s intelligence branch, said two would-be suicide bombers were detained before they were able to reach their targets.

Still, crowds remained near the unfinished eight-story building, including workers who fled the construction site when the violence began. Some of them had colleagues and relatives still stuck in the building and adjoining shops. One of those workers, Ali Jan, had been communicating by phone with his brother, who had been stuck in the building for seven hours. Shortly after sunset, the phone went dead.

“I’m worried,” Jan said, “but my brother told me he was in a safe room. He told me he would be okay.”

 Forças Armadas catadoras de lixo
by Guedown

As Forças Armadas brasileiras parecem ter, definitivamente, perdido o juízo e a vergonha. Hoje pela manhã assisti a soldados do Exército e Fuzileiros Navais catando lixo de favelados no morro de São Carlos, Rio de Janeiro, em um “mutirão” promovido pela Rede Globo.

No meio do assombroso espetáculo, havia um Capitão-de-Mar-e-Guerra Fuzileiro, fardado em uniforme branco e com alamares, lá no morro, todo alegre e sorridente, dando entrevista à TV. O infeliz parecia estar consciente de que a Marinha estava prestando um grande serviço à causa do “meio ambiente”, tal era seu entusiasmo. É possível que houvesse também algum General ou Coronel no local.

Era uma festa lá no morro, inclusive com um grupo de garis da Companhia de Limpeza do Rio, a COMLURB, fazendo um "samba de pagode", enquanto os soldados, primeiro em “garbosa” formatura militar e, depois, em ridícula faina de lixeiros, no meio da sujeira reinante.

Custei a acreditar no que estava vendo, mas é provável que haja Generais e Almirantes justificando a “faina”, como mais uma "cooperação" das Forças Armadas na preservação do meio ambiente. Há sempre justificativa para tudo nesta vida, mas repito que o espetáculo não parecia combinar com tudo que me ensinaram sobre a vida militar e o emprego de Forças Armadas.

Depois dessa, talvez não deva mesmo haver aumento de remuneração, porque quem hoje integra as Forças Armadas parece não merecer mais do que já recebe.


Montagem fotográfica realizada (pesarosamente) pelo Blog.

14 de abr. de 2012

Jamais vi análise tão realista da conjuntura econômica brasileira.
E o perigo está aí, explicitamente apontado.
A situação é de extrema preocupação.

O TRIO MORTAL

Yoshiaki Nakano 

Valor 10/04/2012

Em qualquer análise comparativa da macroeconomia brasileira com os demais países do mundo, três fatos colocam o Brasil como um "outlier" (*). O Brasil tem mantido, nas últimas duas décadas, a maior taxa real de juros entre todos os países do mundo e a maior carga tributária entre países de renda per capita similar. Nos últimos dez anos foi o país que mais apreciou a sua moeda. Esse trio está destruindo a industria brasileira, colocando a nossa estrutura produtiva numa rota de especialização regressiva e, aos poucos, vamos estrangular a nossa "galinha de ovos de ouro": o dinâmico mercado doméstico. 

Os dois preços fundamentais da macroeconomia, taxa de câmbio e taxa de juros, estão completamente fora do lugar e o governo apropria quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) entre impostos e outras receitas. Com o governo gastando mal e investindo uma parcela ínfima, crescemos 2,7% no ano passado e o nosso desempenho no futuro não poderá ser melhor. Ou seria muito pior, não fora o grande prêmio de loteria que recebemos do exterior, com grande ganho em termos de troca a partir de 2003. 

O mais contrastante é que o Brasil havia se tornado "a bola da vez". É óbvio que para o especulador financeiro nosso país se tornou o paraíso: a conjugação da maior taxa de juros com a maior apreciação do real, resulta em retornos recordes. O problema é que esse fantástico afluxo de capitais do exterior não moveu nenhum milímetro a nossa taxa de investimento produtivo, que se mantém oscilando abaixo dos 20% do PIB.

Corremos o risco de regredir para a economia primário-exportadora, como fomos durante o século XIX.

Mas não foi só isso que tornou o Brasil a "bola da vez". Muitos investidores mais de longo prazo passaram a acreditar no "grande potencial de crescimento da economia brasileira". Uma economia de dimensão continental em pleno "bônus demográfico", com mercado doméstico em forte expansão com a incorporação de mais de 40 milhões de pessoas para a classe média nos últimos dez anos, com complexa e moderna estrutura produtiva manufatureira e agropecuária, dotado de riqueza natural de fazer inveja frente a um mundo voraz, tornando os termos de troca extremamente favoráveis e ainda com potencial imenso de produção de energia verde e grande reserva de petróleo no pré-sal. 

Diante desse potencial, qualquer analista que acreditasse que o Brasil teria um mínimo de competência para fazer políticas racionais voltadas para o crescimento econômico, apostaria mais em nós do que na China, India ou Rússia. Infelizmente, quando olhamos para a nossa triste realidade, nos deparamos com o trio mortal, (taxa real de câmbio apreciada, taxa de juros estratosférica e carga tributária crescendo ano após ano), arrastando o país para o limite inferior do seu potencial de crescimento. 

Se o Brasil praticasse taxa de câmbio, taxa de juros e carga tributária próximas às da China e India, com certeza, poderíamos crescer, no mínimo, tanto quanto esses países, pois temos um potencial maior e um mercado doméstico mais dinâmico. 

O trio mortal é persistente há muitos anos e um alimenta o outro. No passado, podíamos culpar o grande déficit público e o excessivo endividamento publico como os responsáveis pela elevada taxa de juros praticada no Brasil. Mas isso não é mais verdade, a situação fiscal melhorou muito. A taxa real de juros sofreu queda ao longo dos anos, mas encontra um piso que a mantém num nível recorde mundial. A explicação para isso é óbvia e muito simples: o Banco Central utiliza, inacreditavelmente, a taxa de juros paga pelos títulos públicos de longo prazo no "overnight", deslocando toda a curva de juros para cima. Se as nossas taxas de juros fossem equivalentes às internacionais, poderíamos reduzir a despesa pública e a carga tributária, em pelo menos, 4 a 5 pontos percentuais do PIB. Os investimentos, por sua vez, poderiam aumentar os mesmos pontos percentuais do PIB, o que aceleraria o crescimento da economia brasileira para 5%. Como o governo, ao longo dos anos, aumenta a carga tributária e realoca recursos de setores mais produtivos (indústria de transformação) para setores com menor produtividade e, menor dinamismo (serviços públicos etc), compromete o aumento de produtividade total da economia brasileira, isto é, o crescimento econômico. 

A elevada carga tributária (não recuperável) e a elevada taxa de juros comprometem a competitividade da indústria brasileira, fazendo com ela perca participação, tanto no mercado doméstico (com invasão das importações), como no externo (nossas exportações perdendo espaço para países com política cambial mais agressiva). O diferencial de taxa de juros torna atrativo investir em reais, atrai um influxo de capitais especulativos de curto prazo tão grande do exterior que torna uma missão quase impossível administrá-los para controlar a taxa de câmbio. 

Some-se a isso, o grande salto nos termos de troca e daí a tendência persistente à apreciação da taxa de câmbio no Brasil. O que agrava definitivamente a competividade da indústria de transformação brasileira. Com isso, ela está praticamente estagnada desde 2006, enquanto a demanda doméstica vem crescendo em torno de 6%. Como o setor com maior potencial de crescimento da produtividade - a indústria de transformação - não cresce, a produtividade média também não cresce e perdemos a maior arma para contrabalançar a tendência de apreciação da taxa de câmbio, em função do aumento de preços das commodities. Hoje a indústria de transformação representa apenas 15% do PIB. 

Se mantivermos o trio mortal, o nosso futuro será regredirmos para uma economia primário-exportadora, como fomos no século XIX, conjugado com um imenso e inchado setor de serviços à la Grécia, Portugal ou Espanha.. Até que uma crise maior nos acorde. 

Imagens inseridas pelo Blog.

(*) Outliers - observações que apresentam um grande afastamento das restantes ou são inconsistentes com elas; estas observações são também designadas por observações “anormais”, contaminantes, estranhas, extremas ou aberrantes.




Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP, escreve mensalmente às terças-feiras.

13 de abr. de 2012

Ode à alegria
Beethoven

Eis o que os japoneses fizeram: dez mil cantores louvando a alegria.
Espantoso !
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