21 de jun. de 2012

BRASIL CARINHOSO

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Profª. Martha Pannunzio

A autora dessa carta, professora aposentada e produtora rural, é autora de livros infantis que foram adaptados para o teatro, cuja produção foi de sua responsabilidade. Além disso, é uma grande defensora da memória da cidade de Uberlândia e do meio ambiente. 

Em suas terras "produtivas" ela promove excursões para que crianças da rede pública do município participem de rodas de leitura. Uma pessoa ética e trabalhadora sempre em defesa da cultura e da educação.
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Bom dia, dona Dilma!

Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO.

Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? 

Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor, senhora presidentA! É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.

Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza, reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para “engordar” sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano qüinqüenal engenhoso de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.

É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a platéia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.

Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura, bastante politizada, marxista, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do “quanto pior, melhor”. São discricionários, praticantes do “bullying” mais indecente da História do Brasil.

Em 1988 a Assembléia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a lei (*). 

Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição, enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei, menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro quente, para não deixar dúvida de que são mal-nascidos. Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza, publicamente, uma apartação étnica e social. 

E o PROUNI se transformou num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação. Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual, empresarial, cultural e política do País. 

A Câmara Federal endoidou? O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma? Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!

Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes, é disto que o Brasil precisa. Para ontem. De ensino técnico, profissionalizante. Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do ensino médio incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal de um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe calcular juros. Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar o ferro de passar roupa. Não é capaz de fritar um ovo. 

O estudante e a estudantA brasileiros só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste. Nossos meninos e jovens lêem (quando lêem), mas não compreendem o que leram. Estamos na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque domino o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública mineira, por opção política e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus professores. A educação de Minas é uma vergonha, a senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque confirma o que estou informando.

Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel Brizola. Convide o senador Cristovam Buarque para um café-amigo, mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.

A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente. Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado, sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis, para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em instalações individuais para um máximo de quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa. De zero a dezessete anos. 

Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula dá pra chegar num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende do ponto de vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser feita por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha mais, consome mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para as burras dos governos. Vale à pena investir mais em educação do que em caridade, pelo menos assim penso eu, materialista convicta.

Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela. Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade, apenas para a senhora saber com quem está falando.

Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida é para que não lhe falte discernimento, saúde nem coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada é o seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim, precisado de muito amadurecimento e aprendizado. O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio e a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo. Sou fazendeira e ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a sensatez. Deixe o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília, bem instalados e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o processo eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é “os outros”. A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidentA do Brasil, e não a presidentA de um partidinho de aluguel, qualquer.

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro. Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos, sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo tendencioso, refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.

A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa, BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda institucional feita incessantemente pelo governo petista na última década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada, que entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis, se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e brasileiras vão ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à delinqüência e às drogas.

Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar da pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes ainda está na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a obrigação de votar e o direito de votar e ser votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social, desprecisada e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão, pronto para depositar um voto na urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar, esta foi a escolha de vocês.

A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista, burro-de-carga brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais. Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou niente? Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada de capital. Democracia é isto, minha cara. Transparência. Não ofende. Não dói.

Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE. Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim, francês e português. Por favor, corrija esta informação.

Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora nunca saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente para que alguém, ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.

Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda. R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem tem em casa uma criança de zero a seis anos, é uma esmolinha bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma? Carinho de presidentA da república do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma campanha institucional a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já produziu dois filhos. É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula, do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.

Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não. Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos desonestos, chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa ignara. Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos, excluídos? Os miseráveis são. Mas votam, como qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.

A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social. Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas, a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!

Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia para sustentar a máquina extraviada do governo petista.

Último lembrete: a pobreza é uma conseqüência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.

Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de protestar, sabe por quê? 

Porque, de cada delírio seu, quem paga a conta sou eu.

Atenciosamente,

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio

Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012


 CPF nº 394172806-78
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(*) CONSTITUIÇÃO FEDERAL


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TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; [....]



   Unasul manda hoje missão para o Paraguai   

Fernando Rodrigues
21/06/2012 - 16:36

A ideia é tentar retardar (ou impedir) impeachment de Lugo. 
Processo será votado em 24 horas pelo Senado paraguaio

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu enviar uma missão hoje (21 jun 2012) de ministros de Relações Exteriores ao Paraguai para mediar a crise política naquele país.

A decisão foi tomada no início da tarde em reunião da qual participaram cinco presidentes: Dilma Rousseff (Brasil). José Mujica (Uruguai), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Juan Manuel Santos (Colômbia). A missão de chanceleres sai hoje às 19h, do Rio de Janeiro.

A ideia é tentar falar com os representantes das instituições do Paraguai e consultá-los sobre a forma como está sendo conduzido o processo de impeachment contra o presidente daquele país, Fernando Lugo.

A missão de chanceleres precisa chegar ainda hoje ao Paraguai por uma razão bem objetiva: o rito de impeachment de Lugo será sumário no Senado do país (a Câmara já o aprovou). Os senadores começam hoje à noite a realizar 3 sessões em apenas 24 horas: uma de acusação, outra de defesa e a de votação propriamente.

Os chanceleres latinos devem desembarcar no Paraguai à noite e ir diretamente ao Senado do país.

DE CABEÇA RASPADA
O secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez, disse em entrevista no Riocentro, onde se realiza a Rio+20, que não há intenção de prejulgar o que se passa no Paraguai. Mas que “todo processo dessa ordem precisa garantir o direito de defesa” aos acusados.

Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais da presidente Dilma Rousseff, já houve 23 anúncios de intenção de impeachment contra Fernando Lugo – eleito em 2008. Esse pedido atual era mais um, mas acabou prosperando e pegou a todos de surpresa no Rio Janeiro. Lugo não havia comparecido à Rio+20.

ANTES DE RASPAREM A CABEÇA
Na reunião dos presidentes latino-americanos que estavam no Riocentro, o colega do Paraguai conversou com todos ao telefone –no sistema viva-voz– por cerca de 15 minutos.

Embora em público nenhum dos ministros latino-americanos admita, a impressão geral das autoridades reunidas no Riocentro é que há uma tentativa de golpe congressual contra Lugo.

“Parece que as coisas foram feitas com uma rapidez incrível”, disse Marco Aurélio Garcia. “Não parece ser um procedimento normal”.

O assessor para assuntos internacionais de Dilma disse ser relevante lembrar que o Paraguai faz parte da Unasul e do Mercosul. “Essas duas organizações têm cláusulas democráticas”, disse. Ou seja, países que rompem com a democracia não podem permanecer membros.

DE ONDE É QUE ME LEMBRO DESSE SUJEITO ??
Fernando Lugo está sendo ameaçado de impeachment pelo “fraco desempenho de suas funções”, após o violento confronto gerado por uma ordem de despejo de trabalhadores sem-terra na última sexta-feira (15.jun.2012).

A proposta de impeachment foi aprovada no dia de hoje (21.jun.2012) por 73 votos a favor e um contra na Câmara dos Deputados. Agora, se o Senado também aprovar, o presidente Lugo será afastado.

Como diz o Péricles, "Ferro no Lugo".

Se esta turma está de um lado, ele (e eu) estamos do outro. Nem queremos saber o que está em discussão. 

José Mujica (Uruguai), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e mais o Marco Aurélio Garcia...  "Tô fora !" 

Ferro no Lugo.

Imagens inseridas pelo Blog.




20 de jun. de 2012

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DESAFIO AO ESTADO 

Dora Kramer

O Estado de S.  Paulo - 20/06/2012 

Dora Kramer

De um lado, a transferência - "por exposição junto à criminalidade" - do juiz Paulo Augusto Moreira Lima da 11.ª Vara Federal em Goiás para instância distante do processo.  Moreira Lima foi o responsável pela decretação da prisão de Carlos Cachoeira, pela autorização à Polícia Federal para interceptar telefonemas de suspeitos de integrar a quadrilha e pediu afastamento devido a ameaças diretas e indiretas a si e sua família.


A procuradora Léia Batista, que atua no caso pelo Ministério Público de Goiás, também se sente ameaçada e pediu ao Conselho Nacional de Justiça que tome providências para garantir-lhe a segurança.

De outro lado, as decisões do juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (Distrito Federal e Goiás, entre outros Estados), que provavelmente têm fundamentação jurídica não obstante deem margem a questionamentos por parte de seus próprios pares.

Tourinho Neto tem sido generoso com a defesa de Cachoeira: determinou cancelamento de depoimento do réu na Justiça, deu voto como relator a favor da ilicitude das escutas da PF e decretou a libertação do acusado que só continuou preso por força de mandado decorrente de outro inquérito policial.

No meio disso, uma CPI bamba, perdida em minúsculas picuinhas de natureza partidária e, se não se cuidar, em via de entrar para o rol dos suspeitos.

Por ação, omissão ou interpretação condescendente sobre a higidez do Estado de direito, se acumulam sinais de que o bando pode ser bem-sucedido nas investidas para obstruir a ação da Justiça e celebrar contente a impunidade no final.

Evidencia-se também o caráter mafioso da organização criminosa alvo de três inquéritos policiais, um processo judicial em curso e uma comissão parlamentar de inquérito composta por deputados e senadores.

Por que falar em máfia?  Porque é do que se trata: empresa de fins criminosos que busca dar feição legal aos negócios mediante infiltração no Estado e cooptação de agentes públicos e privados.  Movimenta-se com desenvoltura nos subterrâneos das instituições e usa de violência.

Nos contornos até agora conhecidos da rede montada por Carlos Augusto de Almeida Ramos, cuja qualificação como mero "contraventor" soa amena, faltava o fator violência.

Não falta mais.  O juiz Moreira Lima, no ofício em que denuncia as pressões à presidência do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, fala em "homicídios" cometidos pela quadrilha por ele investigada.

A própria existência dessas ameaças remete ao caso da juíza Patrícia Acioli, assassinada por sua atuação em processos envolvendo policiais integrantes de milícias no Rio de Janeiro.

Evidente, pois, que a CPI que investiga o esquema Cachoeira e suas ramificações está diante de algo grande.

Tão grande que a comissão só tem um caminho: suspender as tentativas de proteger esse ou aquele grupo e retomar os trabalhos na próxima semana com a seriedade, compreendendo o que se passa debaixo de seu nariz.

Ou faz isso e prossegue nas investigações para valer apesar dos pesares que porventura venham a pesar sobre parlamentares, governadores, prefeitos, empresários e quem mais esteja envolvido, ou a comissão de inquérito terá sido cúmplice.

Qualquer recuo a partir de agora pode significar o acobertamento de ações do crime organizado dentro do Congresso Nacional e uma gravíssima agressão às instituições.

O que está em jogo é a autoridade do Estado, desafiada quando funcionários públicos são ameaçados no exercício de quaisquer funções, mais ainda se estas dizem respeito a apuração de crimes contra o poder público e nas entranhas dele.

Não é o juiz quem tem de se afastar em nome de sua segurança, mas o Estado que precisa lhe garantir a vida, prender os autores das ameaças e assegurar condições para o desbaratamento dessa máfia.

Qualquer coisa diferente disso equivale a transferir aos bandidos um poder de decisão que não lhes pertence e pôr de antemão o juiz (ou juíza) substituto sob suspeita ou risco de morte.  

Lula e Dilma - Manual de destruição do Brasil

Esta palestra , de Rodrigo Constantino, mostra, de uma maneira que mais clara é impossível, para onde vai a economia brasileira.

São vinte e dois minutos sobre os quais devemos meditar profundamente.

Ah, ia esquecendo, parece que foi realizada nos últimos dias, mas, pasmem, é de 2010.

Já passa da hora de dar um basta nisso.


Clique na seta para assistir e no logo do YouTube, se desejar, para melhor qualidade.

Áudio em português e legendas em inglês.

19 de jun. de 2012

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Colaboração do Bozz







          Exorcismo          


Cinco aplicações essenciais para seu pen-drive (USB stick)
Não lide com computadores sem as ferramentas  necessárias. Um pen-drive carregado com umas poucas aplicações essenciais pode salvar o seu dia.


Ah, o stick USB - um dos melhores amigos do micreiro. Ele viaja com você e ajuda a resgatar máquinas, programas e dados. Alguns dos aplicativos que se seguem, você pode copiar para o disco rígido e istalar; outros podem ser executados a partir do próprio pen-drive. Alguns deles são sistemas operacionais completos, que podem ajudá-lo a recuperar completamente um micro corrompido ou infectado. 
Seja qual for o tipo e a finalidade, há tamanha abundância de aplicativos portáteis para stick USB, que torna-se difícil viver sem eles. Aqui estão cinco ferramentas consideradas essenciais.

1: SystemRescueCD

SystemRescueCD (Figura A) é a aplicação Linux ideal para você ter em um stick USB. Com esta aplicação, você pode recuperar partições, dados, uma imagem de disco, testar um disco rígido, editar arquivos de configuração, gravar um disco, verificar se há rootkits, fazer uma verificação antivírus, limpar seguramente um disco rígido e muito mais.

Figure A

SystemRescueCD

2: Portable Firefox

Portable Firefox (Figura Bestará lá sempre que você precisar dele. Às vezes, um navegador da Web é imprescindível para resolver um problema: quando o navegador na área de trabalho trava, o que você faz? Você "saca" a sua edição portátil do Firefox. Esta versão do Firefox tem todos os recursos com os quais você está acostumado. Aliás, muitos não irão acreditar que o Firefox está sendo executado a partir de um stick USB.

Figure B

Portable Firefox

3: ComboFix

ComboFix (Figure C) faz parte de quase todas as minhas listas de ferramentas de recuperação. Nenhum kit de Administrador é completo sem esta poderosa aplicação. É minha primeira escolha quando me deparo com alguns dos vírus mais desagradáveis ​​e rootkits. Quase sem exceção, se um antivírus não pode pegá-lo, o ComboFix pode. Ao contrário dos antivírus comuns e aplicações anti-malware, o ComboFix, após a conclusão da execução, irá exibir um relatório detalhado das ações que realizou. Nota: Para executar o ComboFix, você precisa copiar o executável para o computador e instalá-lo no pen-drive a partir daí.

Figure C

ComboFix

4: FileZilla Portable

FileZilla Portable (Figure D) é o único cliente de FTP (File Transfer Protocol - Protocolo de Transferência de Arquivo) que você necessita carregar. Por que você precisa de um cliente FTP? Haverá momentos em que você precisará transferir um arquivo de um computador com problemas para outra máquina. A maneira mais fácil de fazer isso (quando todos os outros métodos falham) é usando um cliente de FTP portátil. Isto é crucial quando o arquivo é grande demais para caber em um drive USB ou se o arquivo deve ser carregado para uma máquina remota, à qual você não tem acesso físico. Este aplicativo é executado diretamente a partir da unidade USB e não é instalado no PC.

Figure D

FileZilla Portable

5: Explorer++ Portable

Explorer++ Portable (Figure E) é um software com todas as características que você espera encontrar em um bom gerenciador de arquivos. Por que você deve levar um gerenciador de arquivos com você? Alguma vez você já teve que consertar uma máquina em que o Explorer está travando? É grande desafio, e ter um gerenciador de arquivos portátil resolve o problema com facilidade. E por que não ter um gerenciador de arquivos com recursos como abas, atalhos de teclado, uma interface de usuário personalizável, recurso de arrastar e soltar etc ? Afinal, o gerenciador de arquivos é uma das ferramentas mais importantes em um PC. 

Figure E

Explorer++ Portable

Para baixar (e depois instalar em seu pen-drive) um kit completo de aplicações portáteis.




The Futility of European Elections

June 19, 2012 | 0903 GMT


Stratfor
By George Friedman

Europe and the financial markets watched intently June 17 as Greece held general elections. German Chancellor Angela Merkel, French President Francois Hollande and Italian Prime Minister Mario Monti all delayed their flights to the June 18 G-20 summit in Mexico to await the results.

The two leading contenders in the elections were the center-right New Democracy Party (ND), which pledged to uphold Greece's commitments to austerity and honor the country's financial agreements with the European Union and the International Monetary Fund, and the Coalition of the Radical Left (SYRIZA), a group of far-left politicians who pledged to reject Greece's existing agreements, end austerity and maintain the country's position in the eurozone. A third major party, the center-left Panhellenic Socialist Movement (PASOK), shares the ND's position of maintaining Greece's bailout agreement. PASOK had been Greece's ruling party until it formed a unity government with the ND late in 2011.

For a while it seemed these elections would be definitive. Either Greece would reject the country's agreement with its international lenders, potentially being forced out of the eurozone, or it wouldn't. If Greece rejected austerity and forcibly or voluntarily left the eurozone, the country might set a precedent for other troubled states and precipitate a financial crisis -- a eurozone exit and default would likely go hand in hand. Europe would be tested as never before, and it would find out how resilient it is to a wider financial crisis.

But in Europe, the least likely outcome is a definitive one. ND won the election with about 29.5 percent of the vote, earning 78 seats in parliament plus another 50 seats awarded to the winning party by the Greek Constitution. SYRIZA received roughly 27.1 percent of the vote, equivalent to 72 seats, and PASOK received roughly 12.2 percent of the vote, or about 33 seats. The rest of the vote was scattered among a host of other parties. A party needs 151 seats to gain an absolute majority in parliament, but since no single party passed that threshold, a governing coalition must be formed. So the ND needs PASOK if it is going to cobble together a governing coalition, but PASOK has said it will not join a coalition without SYRIZA. It is unclear what a coalition would look like between a party that wants to respect the bailout agreement and a party that wants to reject it, but such a coalition is unlikely to happen anyway. SYRIZA wants to form a powerful opposition. Something resembling a government eventually will be assembled regardless of current rhetoric.

The Greek vote has settled nothing. In fact, it may not even lead to the formation of a government; the last election failed to produce a government and forced this election. That the European crisis most severely affected a country so politically fractious could be seen as pitiable. On the other hand, one could argue that the crisis inevitably would be most severe in the most divided country -- not because the divisions caused the crisis, but because the crisis caused the divisions. 

The pressure brought on by the circumstances in Greece undermined whatever political order was in place; the choices for policymakers were so limited and so frightening that coherent responses were difficult. Greece has options, but it is unable to choose one. More than anything, Europe wants a decision on its future, whatever that decision might be. On June 17, Greece disappointed Europe not because of the choice it made but because it was crippled with indecision.

Crisis Management

Greece's indecisions are at the ground level of Europe. Another and more significant framework for indecision is emerging in Franco-German relations. The French Socialist Party won an absolute majority the same day that the Greeks entered another gridlock. This makes it possible for France's Socialists to form a government without the Greens, giving Hollande a strong and coherent platform from which to operate.

France's position on managing the sovereign debt crisis differs fundamentally from Germany's. Germany has said it will not agree to proposed solutions that would essentially turn the eurozone into a transfer union until the rest of Europe can balance their budgets through austerity measures. Germany believes this must be the first step to further EU and eurozone integration. Hollande takes a different position. He, too, wants greater European and eurozone integration. However, Hollande advocates economic stimulus alongside austerity measures as a means to rebalance the finances of European governments.

Hollande wants to grow Europe out of its financial problems. This means stimulating economies, a process that requires deficit spending. Hollande upholds a traditional Keynesian tenet that increasing demand for goods among consumers will increase economic activity and increase investment. As a Socialist with a strong leftist contingent in his party, Hollande cannot support the German position, which constrains the economy, particularly by decreasing government expenditures, thereby depressing consumption. 

The difference between the French and German approaches is substantial. It reveals a dispute at the heart of the European strategy for managing the crisis. The Germans have been aggressive in demanding balanced budgets. The French are becoming equally aggressive in demanding expansionary policies. Both want to avoid defaults, but the Germans want to guarantee payments of debt by a combination of bailout and austerity. The French want to add stimulus to this, which changes the situation entirely because the stimulus would be funded in large part by German coffers. 

This is not a simple matter of divergent economic theory. It is a matter of national interest. France is not as economically decrepit as Spain or Italy, let alone Greece, but nonetheless it is feeling the pressures of the financial crisis. If Europe continues on its path toward recession, France will face higher unemployment and therefore domestic political pressure under the German plan. It is not in Hollande's or France's interests to follow the German course. For its part, Germany cannot risk further government deficits in the European economic system. Germany's robust economy gives the country a financial cushion to soften the effects of deficit cuts; the rest of Europe, including France, does not have this luxury.

Interestingly, France and Germany were as one on this issue until Hollande was elected president. Indeed, the foundation and mission of European integration has been the close alignment of Germany and France. A founding principle of the union, such an alignment guaranteed stability and discouraged conflicts that had torn Europe apart. Now, Europe has lost its coherence at the highest level, albeit in a more orderly manner than in Greece.

Disharmony and Public Opinion

Of course, the situation is not that simple. What Germany says it wants differs from what it allows to happen. Germany claims to favor disciplined austerity, but more than any other country Germany needs the eurozone to stay intact. It is thus willing to compromise on austerity and on underwriting bad debts. On the other hand, Germany rejects the idea that a systematic strategy to stimulate growth is needed or likely to work. France sees no other solution, lest it face austerity itself. Both want different fiscal policies from the members and also, logically, from the European Central Bank.

From the most beleaguered members of the European Union to the relations between its strongest and most stable members, there is now profound disharmony. What drives this disharmony is public opinion. The Greek public is divided politically; therefore, Greece is paralyzed. France held an election in which Hollande, who holds serious doubts about German policy, forced out and replaced former French President Nicolas Sarkozy, who shared the German position on managing the crisis.

It is not the policymakers that are divided. Rather, the electorate is driving apart policymakers. The German solution to the problem is so unpalatable to the rest of Europe that traditional elite politicians supporting Germany's plan, such as Sarkozy and former Greek Prime Minister George Papandreou, are being replaced. Their replacements tend to reject the German position.

Indeed, political reality has constrained the actions of European lawmakers. Until about five years ago, a broad consensus governed Europe when it came to EU matters, and politicians were free to align themselves with Europe. This is no longer the case -- the solution for maintaining Europe has diverged. Most important, Germany has become the problem in the eurozone where once it was the solution.

Structural issues, such as German dependence on exports to the European Union, only partly explain the change in Germany's public perception. More accurately, German methods for managing the crisis increasingly are seen by other countries as significant threats to their well being -- there is not one anti-German coalition. Germany wants to find accommodation with France. The problem rests in how the French and German views are reconciled. France is not yet leading a coalition against Germany, but it is difficult to imagine a different scenario.

The more elections are held, the more the public will force their leaders in various directions. More often than not, this direction will eschew austerity and Germany. Over time this will solidify into a new map. While this has yet to happen, the recent elections at the least are not solving Europe's problem. In fact, they may be further dividing the Continent. And there are many elections to go.