21 de jun. de 2012



   Unasul manda hoje missão para o Paraguai   

Fernando Rodrigues
21/06/2012 - 16:36

A ideia é tentar retardar (ou impedir) impeachment de Lugo. 
Processo será votado em 24 horas pelo Senado paraguaio

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu enviar uma missão hoje (21 jun 2012) de ministros de Relações Exteriores ao Paraguai para mediar a crise política naquele país.

A decisão foi tomada no início da tarde em reunião da qual participaram cinco presidentes: Dilma Rousseff (Brasil). José Mujica (Uruguai), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Juan Manuel Santos (Colômbia). A missão de chanceleres sai hoje às 19h, do Rio de Janeiro.

A ideia é tentar falar com os representantes das instituições do Paraguai e consultá-los sobre a forma como está sendo conduzido o processo de impeachment contra o presidente daquele país, Fernando Lugo.

A missão de chanceleres precisa chegar ainda hoje ao Paraguai por uma razão bem objetiva: o rito de impeachment de Lugo será sumário no Senado do país (a Câmara já o aprovou). Os senadores começam hoje à noite a realizar 3 sessões em apenas 24 horas: uma de acusação, outra de defesa e a de votação propriamente.

Os chanceleres latinos devem desembarcar no Paraguai à noite e ir diretamente ao Senado do país.

DE CABEÇA RASPADA
O secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez, disse em entrevista no Riocentro, onde se realiza a Rio+20, que não há intenção de prejulgar o que se passa no Paraguai. Mas que “todo processo dessa ordem precisa garantir o direito de defesa” aos acusados.

Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais da presidente Dilma Rousseff, já houve 23 anúncios de intenção de impeachment contra Fernando Lugo – eleito em 2008. Esse pedido atual era mais um, mas acabou prosperando e pegou a todos de surpresa no Rio Janeiro. Lugo não havia comparecido à Rio+20.

ANTES DE RASPAREM A CABEÇA
Na reunião dos presidentes latino-americanos que estavam no Riocentro, o colega do Paraguai conversou com todos ao telefone –no sistema viva-voz– por cerca de 15 minutos.

Embora em público nenhum dos ministros latino-americanos admita, a impressão geral das autoridades reunidas no Riocentro é que há uma tentativa de golpe congressual contra Lugo.

“Parece que as coisas foram feitas com uma rapidez incrível”, disse Marco Aurélio Garcia. “Não parece ser um procedimento normal”.

O assessor para assuntos internacionais de Dilma disse ser relevante lembrar que o Paraguai faz parte da Unasul e do Mercosul. “Essas duas organizações têm cláusulas democráticas”, disse. Ou seja, países que rompem com a democracia não podem permanecer membros.

DE ONDE É QUE ME LEMBRO DESSE SUJEITO ??
Fernando Lugo está sendo ameaçado de impeachment pelo “fraco desempenho de suas funções”, após o violento confronto gerado por uma ordem de despejo de trabalhadores sem-terra na última sexta-feira (15.jun.2012).

A proposta de impeachment foi aprovada no dia de hoje (21.jun.2012) por 73 votos a favor e um contra na Câmara dos Deputados. Agora, se o Senado também aprovar, o presidente Lugo será afastado.

Como diz o Péricles, "Ferro no Lugo".

Se esta turma está de um lado, ele (e eu) estamos do outro. Nem queremos saber o que está em discussão. 

José Mujica (Uruguai), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e mais o Marco Aurélio Garcia...  "Tô fora !" 

Ferro no Lugo.

Imagens inseridas pelo Blog.




20 de jun. de 2012

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DESAFIO AO ESTADO 

Dora Kramer

O Estado de S.  Paulo - 20/06/2012 

Dora Kramer

De um lado, a transferência - "por exposição junto à criminalidade" - do juiz Paulo Augusto Moreira Lima da 11.ª Vara Federal em Goiás para instância distante do processo.  Moreira Lima foi o responsável pela decretação da prisão de Carlos Cachoeira, pela autorização à Polícia Federal para interceptar telefonemas de suspeitos de integrar a quadrilha e pediu afastamento devido a ameaças diretas e indiretas a si e sua família.


A procuradora Léia Batista, que atua no caso pelo Ministério Público de Goiás, também se sente ameaçada e pediu ao Conselho Nacional de Justiça que tome providências para garantir-lhe a segurança.

De outro lado, as decisões do juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (Distrito Federal e Goiás, entre outros Estados), que provavelmente têm fundamentação jurídica não obstante deem margem a questionamentos por parte de seus próprios pares.

Tourinho Neto tem sido generoso com a defesa de Cachoeira: determinou cancelamento de depoimento do réu na Justiça, deu voto como relator a favor da ilicitude das escutas da PF e decretou a libertação do acusado que só continuou preso por força de mandado decorrente de outro inquérito policial.

No meio disso, uma CPI bamba, perdida em minúsculas picuinhas de natureza partidária e, se não se cuidar, em via de entrar para o rol dos suspeitos.

Por ação, omissão ou interpretação condescendente sobre a higidez do Estado de direito, se acumulam sinais de que o bando pode ser bem-sucedido nas investidas para obstruir a ação da Justiça e celebrar contente a impunidade no final.

Evidencia-se também o caráter mafioso da organização criminosa alvo de três inquéritos policiais, um processo judicial em curso e uma comissão parlamentar de inquérito composta por deputados e senadores.

Por que falar em máfia?  Porque é do que se trata: empresa de fins criminosos que busca dar feição legal aos negócios mediante infiltração no Estado e cooptação de agentes públicos e privados.  Movimenta-se com desenvoltura nos subterrâneos das instituições e usa de violência.

Nos contornos até agora conhecidos da rede montada por Carlos Augusto de Almeida Ramos, cuja qualificação como mero "contraventor" soa amena, faltava o fator violência.

Não falta mais.  O juiz Moreira Lima, no ofício em que denuncia as pressões à presidência do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, fala em "homicídios" cometidos pela quadrilha por ele investigada.

A própria existência dessas ameaças remete ao caso da juíza Patrícia Acioli, assassinada por sua atuação em processos envolvendo policiais integrantes de milícias no Rio de Janeiro.

Evidente, pois, que a CPI que investiga o esquema Cachoeira e suas ramificações está diante de algo grande.

Tão grande que a comissão só tem um caminho: suspender as tentativas de proteger esse ou aquele grupo e retomar os trabalhos na próxima semana com a seriedade, compreendendo o que se passa debaixo de seu nariz.

Ou faz isso e prossegue nas investigações para valer apesar dos pesares que porventura venham a pesar sobre parlamentares, governadores, prefeitos, empresários e quem mais esteja envolvido, ou a comissão de inquérito terá sido cúmplice.

Qualquer recuo a partir de agora pode significar o acobertamento de ações do crime organizado dentro do Congresso Nacional e uma gravíssima agressão às instituições.

O que está em jogo é a autoridade do Estado, desafiada quando funcionários públicos são ameaçados no exercício de quaisquer funções, mais ainda se estas dizem respeito a apuração de crimes contra o poder público e nas entranhas dele.

Não é o juiz quem tem de se afastar em nome de sua segurança, mas o Estado que precisa lhe garantir a vida, prender os autores das ameaças e assegurar condições para o desbaratamento dessa máfia.

Qualquer coisa diferente disso equivale a transferir aos bandidos um poder de decisão que não lhes pertence e pôr de antemão o juiz (ou juíza) substituto sob suspeita ou risco de morte.  

Lula e Dilma - Manual de destruição do Brasil

Esta palestra , de Rodrigo Constantino, mostra, de uma maneira que mais clara é impossível, para onde vai a economia brasileira.

São vinte e dois minutos sobre os quais devemos meditar profundamente.

Ah, ia esquecendo, parece que foi realizada nos últimos dias, mas, pasmem, é de 2010.

Já passa da hora de dar um basta nisso.


Clique na seta para assistir e no logo do YouTube, se desejar, para melhor qualidade.

Áudio em português e legendas em inglês.

19 de jun. de 2012

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Colaboração do Bozz







          Exorcismo          


Cinco aplicações essenciais para seu pen-drive (USB stick)
Não lide com computadores sem as ferramentas  necessárias. Um pen-drive carregado com umas poucas aplicações essenciais pode salvar o seu dia.


Ah, o stick USB - um dos melhores amigos do micreiro. Ele viaja com você e ajuda a resgatar máquinas, programas e dados. Alguns dos aplicativos que se seguem, você pode copiar para o disco rígido e istalar; outros podem ser executados a partir do próprio pen-drive. Alguns deles são sistemas operacionais completos, que podem ajudá-lo a recuperar completamente um micro corrompido ou infectado. 
Seja qual for o tipo e a finalidade, há tamanha abundância de aplicativos portáteis para stick USB, que torna-se difícil viver sem eles. Aqui estão cinco ferramentas consideradas essenciais.

1: SystemRescueCD

SystemRescueCD (Figura A) é a aplicação Linux ideal para você ter em um stick USB. Com esta aplicação, você pode recuperar partições, dados, uma imagem de disco, testar um disco rígido, editar arquivos de configuração, gravar um disco, verificar se há rootkits, fazer uma verificação antivírus, limpar seguramente um disco rígido e muito mais.

Figure A

SystemRescueCD

2: Portable Firefox

Portable Firefox (Figura Bestará lá sempre que você precisar dele. Às vezes, um navegador da Web é imprescindível para resolver um problema: quando o navegador na área de trabalho trava, o que você faz? Você "saca" a sua edição portátil do Firefox. Esta versão do Firefox tem todos os recursos com os quais você está acostumado. Aliás, muitos não irão acreditar que o Firefox está sendo executado a partir de um stick USB.

Figure B

Portable Firefox

3: ComboFix

ComboFix (Figure C) faz parte de quase todas as minhas listas de ferramentas de recuperação. Nenhum kit de Administrador é completo sem esta poderosa aplicação. É minha primeira escolha quando me deparo com alguns dos vírus mais desagradáveis ​​e rootkits. Quase sem exceção, se um antivírus não pode pegá-lo, o ComboFix pode. Ao contrário dos antivírus comuns e aplicações anti-malware, o ComboFix, após a conclusão da execução, irá exibir um relatório detalhado das ações que realizou. Nota: Para executar o ComboFix, você precisa copiar o executável para o computador e instalá-lo no pen-drive a partir daí.

Figure C

ComboFix

4: FileZilla Portable

FileZilla Portable (Figure D) é o único cliente de FTP (File Transfer Protocol - Protocolo de Transferência de Arquivo) que você necessita carregar. Por que você precisa de um cliente FTP? Haverá momentos em que você precisará transferir um arquivo de um computador com problemas para outra máquina. A maneira mais fácil de fazer isso (quando todos os outros métodos falham) é usando um cliente de FTP portátil. Isto é crucial quando o arquivo é grande demais para caber em um drive USB ou se o arquivo deve ser carregado para uma máquina remota, à qual você não tem acesso físico. Este aplicativo é executado diretamente a partir da unidade USB e não é instalado no PC.

Figure D

FileZilla Portable

5: Explorer++ Portable

Explorer++ Portable (Figure E) é um software com todas as características que você espera encontrar em um bom gerenciador de arquivos. Por que você deve levar um gerenciador de arquivos com você? Alguma vez você já teve que consertar uma máquina em que o Explorer está travando? É grande desafio, e ter um gerenciador de arquivos portátil resolve o problema com facilidade. E por que não ter um gerenciador de arquivos com recursos como abas, atalhos de teclado, uma interface de usuário personalizável, recurso de arrastar e soltar etc ? Afinal, o gerenciador de arquivos é uma das ferramentas mais importantes em um PC. 

Figure E

Explorer++ Portable

Para baixar (e depois instalar em seu pen-drive) um kit completo de aplicações portáteis.




The Futility of European Elections

June 19, 2012 | 0903 GMT


Stratfor
By George Friedman

Europe and the financial markets watched intently June 17 as Greece held general elections. German Chancellor Angela Merkel, French President Francois Hollande and Italian Prime Minister Mario Monti all delayed their flights to the June 18 G-20 summit in Mexico to await the results.

The two leading contenders in the elections were the center-right New Democracy Party (ND), which pledged to uphold Greece's commitments to austerity and honor the country's financial agreements with the European Union and the International Monetary Fund, and the Coalition of the Radical Left (SYRIZA), a group of far-left politicians who pledged to reject Greece's existing agreements, end austerity and maintain the country's position in the eurozone. A third major party, the center-left Panhellenic Socialist Movement (PASOK), shares the ND's position of maintaining Greece's bailout agreement. PASOK had been Greece's ruling party until it formed a unity government with the ND late in 2011.

For a while it seemed these elections would be definitive. Either Greece would reject the country's agreement with its international lenders, potentially being forced out of the eurozone, or it wouldn't. If Greece rejected austerity and forcibly or voluntarily left the eurozone, the country might set a precedent for other troubled states and precipitate a financial crisis -- a eurozone exit and default would likely go hand in hand. Europe would be tested as never before, and it would find out how resilient it is to a wider financial crisis.

But in Europe, the least likely outcome is a definitive one. ND won the election with about 29.5 percent of the vote, earning 78 seats in parliament plus another 50 seats awarded to the winning party by the Greek Constitution. SYRIZA received roughly 27.1 percent of the vote, equivalent to 72 seats, and PASOK received roughly 12.2 percent of the vote, or about 33 seats. The rest of the vote was scattered among a host of other parties. A party needs 151 seats to gain an absolute majority in parliament, but since no single party passed that threshold, a governing coalition must be formed. So the ND needs PASOK if it is going to cobble together a governing coalition, but PASOK has said it will not join a coalition without SYRIZA. It is unclear what a coalition would look like between a party that wants to respect the bailout agreement and a party that wants to reject it, but such a coalition is unlikely to happen anyway. SYRIZA wants to form a powerful opposition. Something resembling a government eventually will be assembled regardless of current rhetoric.

The Greek vote has settled nothing. In fact, it may not even lead to the formation of a government; the last election failed to produce a government and forced this election. That the European crisis most severely affected a country so politically fractious could be seen as pitiable. On the other hand, one could argue that the crisis inevitably would be most severe in the most divided country -- not because the divisions caused the crisis, but because the crisis caused the divisions. 

The pressure brought on by the circumstances in Greece undermined whatever political order was in place; the choices for policymakers were so limited and so frightening that coherent responses were difficult. Greece has options, but it is unable to choose one. More than anything, Europe wants a decision on its future, whatever that decision might be. On June 17, Greece disappointed Europe not because of the choice it made but because it was crippled with indecision.

Crisis Management

Greece's indecisions are at the ground level of Europe. Another and more significant framework for indecision is emerging in Franco-German relations. The French Socialist Party won an absolute majority the same day that the Greeks entered another gridlock. This makes it possible for France's Socialists to form a government without the Greens, giving Hollande a strong and coherent platform from which to operate.

France's position on managing the sovereign debt crisis differs fundamentally from Germany's. Germany has said it will not agree to proposed solutions that would essentially turn the eurozone into a transfer union until the rest of Europe can balance their budgets through austerity measures. Germany believes this must be the first step to further EU and eurozone integration. Hollande takes a different position. He, too, wants greater European and eurozone integration. However, Hollande advocates economic stimulus alongside austerity measures as a means to rebalance the finances of European governments.

Hollande wants to grow Europe out of its financial problems. This means stimulating economies, a process that requires deficit spending. Hollande upholds a traditional Keynesian tenet that increasing demand for goods among consumers will increase economic activity and increase investment. As a Socialist with a strong leftist contingent in his party, Hollande cannot support the German position, which constrains the economy, particularly by decreasing government expenditures, thereby depressing consumption. 

The difference between the French and German approaches is substantial. It reveals a dispute at the heart of the European strategy for managing the crisis. The Germans have been aggressive in demanding balanced budgets. The French are becoming equally aggressive in demanding expansionary policies. Both want to avoid defaults, but the Germans want to guarantee payments of debt by a combination of bailout and austerity. The French want to add stimulus to this, which changes the situation entirely because the stimulus would be funded in large part by German coffers. 

This is not a simple matter of divergent economic theory. It is a matter of national interest. France is not as economically decrepit as Spain or Italy, let alone Greece, but nonetheless it is feeling the pressures of the financial crisis. If Europe continues on its path toward recession, France will face higher unemployment and therefore domestic political pressure under the German plan. It is not in Hollande's or France's interests to follow the German course. For its part, Germany cannot risk further government deficits in the European economic system. Germany's robust economy gives the country a financial cushion to soften the effects of deficit cuts; the rest of Europe, including France, does not have this luxury.

Interestingly, France and Germany were as one on this issue until Hollande was elected president. Indeed, the foundation and mission of European integration has been the close alignment of Germany and France. A founding principle of the union, such an alignment guaranteed stability and discouraged conflicts that had torn Europe apart. Now, Europe has lost its coherence at the highest level, albeit in a more orderly manner than in Greece.

Disharmony and Public Opinion

Of course, the situation is not that simple. What Germany says it wants differs from what it allows to happen. Germany claims to favor disciplined austerity, but more than any other country Germany needs the eurozone to stay intact. It is thus willing to compromise on austerity and on underwriting bad debts. On the other hand, Germany rejects the idea that a systematic strategy to stimulate growth is needed or likely to work. France sees no other solution, lest it face austerity itself. Both want different fiscal policies from the members and also, logically, from the European Central Bank.

From the most beleaguered members of the European Union to the relations between its strongest and most stable members, there is now profound disharmony. What drives this disharmony is public opinion. The Greek public is divided politically; therefore, Greece is paralyzed. France held an election in which Hollande, who holds serious doubts about German policy, forced out and replaced former French President Nicolas Sarkozy, who shared the German position on managing the crisis.

It is not the policymakers that are divided. Rather, the electorate is driving apart policymakers. The German solution to the problem is so unpalatable to the rest of Europe that traditional elite politicians supporting Germany's plan, such as Sarkozy and former Greek Prime Minister George Papandreou, are being replaced. Their replacements tend to reject the German position.

Indeed, political reality has constrained the actions of European lawmakers. Until about five years ago, a broad consensus governed Europe when it came to EU matters, and politicians were free to align themselves with Europe. This is no longer the case -- the solution for maintaining Europe has diverged. Most important, Germany has become the problem in the eurozone where once it was the solution.

Structural issues, such as German dependence on exports to the European Union, only partly explain the change in Germany's public perception. More accurately, German methods for managing the crisis increasingly are seen by other countries as significant threats to their well being -- there is not one anti-German coalition. Germany wants to find accommodation with France. The problem rests in how the French and German views are reconciled. France is not yet leading a coalition against Germany, but it is difficult to imagine a different scenario.

The more elections are held, the more the public will force their leaders in various directions. More often than not, this direction will eschew austerity and Germany. Over time this will solidify into a new map. While this has yet to happen, the recent elections at the least are not solving Europe's problem. In fact, they may be further dividing the Continent. And there are many elections to go.



veja - ACERVO DIGITAL - 18/06/2012 - 07:13

 

Forças Armadas do Brasil:

treinados, armados e mal pagos3

 
Os mais de 339 000 homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica viram seus salários serem achatados ao longo dos anos, o que criou distorções absurdas. Um comandante de porta-aviões, por exemplo, ganha menos que um gráfico do Senado Federal
Carolina Freitas e Gabriel Castro
Soldados do exército brasileiro
Soldados do Exército Brasileiro: muita responsabilidade, pouca remuneração (Orlando Brito)
Neste domingo, familiares de militares marcharam pela orla da Praia de Copacabana no Rio de Janeiro em um protesto por aumento salarial. A manifestação, batizada de “panelaço”, aproveitou a presença de autoridades do governo e representantes internacionais no Forte de Copacabana para a Conferência Rio+20 para dar visibilidade à causa. Dados levantados pelo site de VEJA mostram a discrepância salarial entre os militares – que somam um efetivo de 339 364 homens - e os demais servidores públicos federais. Um operador de máquina do Senado Federal, responsável por colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico da Casa, por exemplo, recebe salário de 14 421,75 reais. A vaga, preenchida por concurso, exige apenas Ensino Fundamental completo. Enquanto isso, um capitão-de-mar-e-guerra, o quarto posto mais alto dentro da hierarquia da Marinha e responsável, por exemplo, por comandar um porta-aviões, recebe remuneração de 13 109,45 reais. Veja outras comparações salariais e quanto ganha quem comanda as tropas ao final desta reportagem.

Os militares da ativa são proibidos de se manifestar. Por isso, escalaram suas mulheres para ir às ruas. Ivone Luzardo preside a União Nacional das Esposas de Militares (Unemfa) e é uma das articuladoras do protesto deste domingo. Ela causou alvoroço em março ao subir a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, de uso restrito da presidente. Tudo para chamar a atenção para as reivindicações salariais da categoria. Em maio, conseguiu entregar nas mãos da presidente um ofício com um pedido de audiência. Não obteve resposta. “O governo precisa separar a história da realidade”, afirma Ivone. “Os militares assumiram o poder nos anos 1960 porque ninguém queria um país comunista. Os que hoje estão no governo eram contra os militares na época. Criou-se um revanchismo.”

Outro líder do movimento é o militar reformado Marcelo Machado. Ele presidente a Associação Nacional dos Militares do Brasil, fundada há um ano e com sede no Rio de Janeiro e em Brasília. “A insatisfação é geral. Enquanto os comandantes das Forças Armadas têm salário de ministro, nós ficamos a pão e água”, diz Machado. “Os colegas não podem se manifestar, mas, por ser reformado, tenho sorte de ninguém poder me punir.” O movimento vem ganhando força a ponto de as duas associações terem marcado para 30 de agosto o 1º Congresso Nacional da Família Militar. 

Sob a condição de anonimato, pelo temor de represálias, militares da ativa e da reserva aceitaram conversar com a reportagem do site de VEJA. Eles narram uma rotina de dificuldades financeiras, endividamento e condições precárias para as famílias de militares que são transferidos de cidade. “Há militares com 25 anos de serviço em capitais que residem em quarteis, em alojamentos paupérrimos, com a família a 200 quilômetros de distância, onde podem pagar pelo aluguel”, relata um subtenente com 27 anos de Exército.
 

Arte mostra o contracheque de um militar
Um capitão do Exército da reserva aceitou mostrar seu contracheque (veja detalhes na ilustração ao lado). Ele tem 60% de seu soldo, de 5 340 reais, comprometido com empréstimos e financiamento imobiliário. Ao soldo somam-se gratificações pelo tempo de serviço e por especialização na profissão que dobram o valor da remuneração. Mesmo assim, ele chega ao final do mês com salário líquido de pouco mais de 3 000 reais depois de 37 anos de dedicação às Forças Armadas. “A vida militar é um sacerdócio, não um emprego. Tenho sangue verde-oliva”, diz o orgulhoso senhor de 57 anos. “Porém, acho injusto um capitão contar o dinheiro para poder trocar de carro enquanto um funcionário de nível médio do Senado anda de automóvel importado.”

Entre as reivindicações das associações de familiares está o pagamento imediato de um porcentual de 28,86%, concedido por lei aos servidores públicos em 1993, durante o governo Itamar Franco, mas nunca entregue aos militares. Em 2003, o Supremo Tribunal Federal editou uma súmula garantindo o pagamento às tropas. Em 2009, a Advocacia-Geral da União reconheceu a decisão. De acordo com o Ministério da Defesa, no entanto, o estudo para pagamento do reajuste está sob análise do Ministério do Planejamento. “A implementação de novos valores dependerá de análise do governo federal, observada a conjuntura econômico-financeira do país”, informou a Defesa. O ministério informou ainda que tem dialogado com o Planejamento “visando a melhoria da remuneração dos militares das Forças Armadas”. Não há, no entanto, previsão de quando pode haver uma resolução sobre o assunto.

Em 2011, a folha de pagamento das três Forças somou 46,56 bilhões de reais, sendo 17,54 bilhões de reais destinado ao pessoal ativo e 29,02 bilhões de reais para inativos e pensionistas.

Fuga da carreira militar - A pouca atratividade financeira da carreira tem feito minguar os quadros das Forças Armadas. Levantamento feito com base em dados do Diário Oficial da União mostra que, de janeiro de 2006 até maio de 2012, 1 215 militares deixaram a carreira. O Exército foi a força que mais perdeu pessoal, 551 homens, seguido pela Marinha, 405, e Aeronáutica, 229. Os detalhes estão no gráfico abaixo. O estudo foi organizado pela assessoria do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), porta-voz das tropas no Congresso. “Tem muitos oficiais saindo para ganhar mais em outras áreas. E o gasto que o governo tem para formar um militar é altíssimo”, afirma Bolsonaro. “O governo usa o pretexto da indisciplina para nos subjugar.” .

Arte mostra número de militares que pediram exoneração desde 2006
 
As associações de familiares procuraram um por um os parlamentares para pedir a eles apoio para pressionar o governo Dilma Rousseff a conceder aumento. Os apelos tiveram pouca reverberação no Congresso. Além de Bolsonaro, apenas o senador Roberto Requião (PMDB-PR) deu sinais de apoio à causa. Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Casa com o ministro da Defesa, Celso Amorim, Requião falou sobre a necessidade de valorizar a carreira militar e sugeriu o agendamento de um encontro na comissão, com a presença do ministro, para tratar do assunto. Até agora, nada está marcado, no entanto.

Promessas - Apesar de todos os entraves agora colocados pelo governo, um plano de reajustes para a categoria estava previsto na Estratégia de Defesa Nacional, lançada em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e, ainda, em uma carta da então candidata à Presidência Dilma Rousseff, de 2010. Diz o documento assinado por Dilma e entregue à época aos representantes das Forças Armadas: “Os índices de reajuste salarial conquistados nos últimos dois mandatos presidenciais são uma garantia de que continuaremos efetuando as merecidas reposições.” As tropas, unidas, continuam à espera.
Arte mostra salário de militares

Responsabilidades demais, remuneração de menos

A defasagem dos rendimentos dos militares fica mais evidente quando os salários são comparados aos de funcionários do Congresso Nacional, que estão entre os mais bem pagos do serviço público. Veja quatro exemplos dessa distorção.

Faixa salarial: até 5 000 reais



NAS FORÇAS ARMADAS

Cargo: Primeiro-sargento
Salário: 4 844 reais
Atribuições: Na Aeronáutica, uma das funções é coordenar o controle do tráfego aéreo em aeroportos

NO CONGRESSO NACIONAL

Não existem servidores efetivos nessa faixa salarial. Faxineiros e ascensoristas, terceirizados, são os únicos a receber valores abaixo de 5 000 reais.