4 de jun. de 2012
3 de jun. de 2012
Meu filho, você não merece nada.
A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a
geração mais preparada.
ELIANE BRUM - Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios
nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes
e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O
Olho da Rua (Globo).
Ao conviver com os
bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que
estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais
preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.
Preparada do ponto
de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações.
Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada
porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens
protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por
tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o
patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de
classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou
para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve
muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida
é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a
sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma
continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente,
que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que
queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece –
sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e
desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam
tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é
construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com
ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não
conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito
animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um
questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente
hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma
espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para
garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar
tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma
responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem
devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é
possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam
como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração
e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe
alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua
condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O
valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado”
é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir
assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a
noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a
excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os
filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem
esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem
sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo
em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido.
Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a
frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração
do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de
mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes
prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem
terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o
menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é
também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja,
consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e
estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a
conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum
chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer
– este momento é apenas quando a condição humana - frágil e falha - começa a se
explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E
mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da
confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a
felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais
supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem
sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?
Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer
duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da
falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da
completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está
disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer
equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e
cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o
manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar
de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem –
e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos
podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento,
o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída
sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a
exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são
as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de
garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a
sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela
familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém
pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso
logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida
inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance.
Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem
porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que
se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move,
mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas
imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam
muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da
própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter
competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar
aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de
desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de
responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente
grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão
importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de
vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa
briga é tua”. Assim como sentar
para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou
com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou
tentando descobrir”.
Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu
filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil,
incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em
volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico
possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho
merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar
choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no
mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja
a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão
dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com
certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a
responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor.
Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se
sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras na ÉPOCA.)
DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA
Ruth Costas
Da BBC Brasil em Londres
A desaceleração da economia brasileira estourou o que muitos analistas acreditam ter sido uma "bolha" de entusiasmo pelo Brasil no exterior.

Esse ritmo mais lento da economia brasileira foi confirmado nesta sexta-feira com a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) pelo IBGE. Segundo os números, no primeiro trimestre deste ano, o Brasil cresceu apenas 0,2% em relação aos três últimos meses de 2011.
Na segunda metade dos anos 2000, quando o Brasil ganhou a preferência de investidores estrangeiros, os holofotes da mídia internacional e, de quebra, o direito de sediar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, o termo "Brasilmania" passou a ser usado para referir-se ao crescente interesse internacional pelo país.
Agora, não só o fenômeno parece estar perdendo força como já há especialistas denunciando "exagero" nas análises negativas sobre a economia brasileira.
Um desses analistas é Jim O'Neill, economista do Goldman Sachs conhecido por criar o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China)."Os mercados financeiros costumam ir de um extremo a outro quando suas expectativas sobre um país não são confirmadas", disse O'Neill à BBC Brasil.
"As previsões para o crescimento brasileiro eram muito elevadas, principalmente depois da alta de 7,5% do PIB em 2010, e ajustes eram necessários. Mas agora há análises que estão exagerando problemas e riscos para o Brasil."
Exagero
Richard Lapper, diretor do Brazil Confidential, o serviço de análises sobre o Brasil do jornal britânico Financial Times, concorda. "No mercado, o clima é de que a festa brasileira acabou", relata Lapper. "É como se de repente alguns analistas tivessem descoberto que o Brasil tem problemas."
Entre os "exageros" segundo Lapper, estariam a análise de Ruchir Sharma, do Morgan Stanley, que defendeu, na revista Foreign Affairs, que da mesma forma como o Brasil subiu com os preços das commodities, pode cair com uma eventual desvalorização dos mesmos provocada pela desaceleração da economia chinesa.
Nouriel Roubini, economista conhecido por prever o colapso do mercado imobiliário americano, também voltou de uma viagem pelos Brics, em fevereiro, recomendando um "choque de realidade" em relação ao Brasil.
Para Neil Shearing, da consultoria Capital Economics, em Londres, um dos analistas "decepcionados" com o Brasil, o problema é que o crescimento brasileiro ficou atrás não só dos outros Brics, mas também de outros latino-americanos, como o México: "Havia uma bolha de entusiasmo pelo Brasil - e agora ela estourou", diz.
Cobertura negativa
A mudança nas percepções em relação ao Brasil é evidente no tom da cobertura sobre o país em alguns veículos da imprensa internacional.
Em um artigo recente para a Foreign Policy, por exemplo, o escritor e jornalista Bill Hinchberger defendeu que o crescimento de 2,7% do PIB em 2011, fez o Brasil "acordar em uma quarta-feira de cinzas" de ressaca da euforia do crescimento da década passada. "O carnaval acabou", anunciou Hichberger.
No fim de 2009, uma capa da revista britânica The Economist trazia o Cristo Redentor alçando voo nos céus do Rio de Janeiro. "O Brasil decola", anunciava. No mês passado, a mesma revista ilustrava um artigo sobre as "fraquezas" da economia brasileira com uma imagem bem menos grandiosa: um boi debatendo-se para tentar sair de um pântano.
As incertezas em relação ao Brasil são alimentadas tanto por fatores internos quanto externos.
Além de o país estar crescendo menos que outros emergentes, há preocupações com as baixas taxas de poupança e investimento, o chamado Custo Brasil (excesso de burocracia, déficit de infraestrutura, etc) e a relativa falta de crescimento na produtividade da indústria.
Como escreveu Marcos Troyjo, da Universidade de Columbia, em um artigo para a BBC Brasil, apesar de a Brasilmania ter feito muitos acreditarem que o PIB do Brasil "estava destinado a um ascensão irresistível e sem escalas", o país não aumentou muito sua fatia da economia global na última década e só consegui tornar-se a sexta economia do mundo por causa do real valorizado.
No plano internacional, o foco das preocupações hoje são as incertezas sobre a zona do euro e a as perspectivas de um desaquecimento da China – cenário que levaria a uma redução das exportações brasileiras e desvalorização das commodities.
Para Lapper esses fatores e a desaceleração brasileira podem assustar investidores de curto prazo, mas para os de médio e longo prazo as perspectivas ainda são muito boas. "O mercado consumidor do país é forte e setores como agronegócio, gás e petróleo continuarão a oferecer ótimas oportunidades de negócio."
Imagem
Ainda não está claro quanto esse ajuste de expectativas sobre a economia brasileira no mercado e imprensa internacionais pode alterar a imagem do país com a opinião pública em geral em países estrangeiros.
O consultor britânico Simon Anholt, que faz um ranking com as nações mais admiradas do globo diz que as mudanças ocorrem lentamente nessa área e nem sempre acompanham questões ligadas a desempenho econômico.
"O Brasil era em 2011 o único país em desenvolvimento entre os 20 mais admirados", explica. "Mas curiosamente a sua imagem mudou pouco, mesmo nos anos de bonança, estando fundamentalmente ligada a chavões como futebol e carnaval. É um país que desperta carinho, mas não respeito."
2 de jun. de 2012
O Zé Cazuza
Sebastião Nery
domingo, 27 de maio de 2012
![]() |
| JOÃO SUASSUNA |
João Suassuna, pai do consagrado teatrólogo e romancista Ariano
Suassuna (pode ser o Nobel de Literatura de 2012), era governador da Paraiba e
resolver combater o cangaço, que matava no Estado todo. Mandou telegrama ao
sargento Irineu Rangel, delegado de Souza:
- “Prenda José Cazuza. Saudações. a) João Suassuna, governador”.
Zé Cazuza era pistoleiro famoso, com centenas de mortes, dono da Justiça e da lei na região. Sargento Irineu pôs o telegrama no bolso e saiu. Zé Cazuza estava conversando na praça.
- Por favor, cavalheiro, como é a sua graça?
- José Cazuza às suas ordens, sargento.
SARGENTO IRINEU
Sargento Irineu puxou o telegrama do bolso, leu e guardou.
- Ah, então o senhor quer é me prender?
- E o senhor quer é brigar? Tome suas armas e vamos brigar agora.
- Não, sargento, houve um mal-entendido.
E Zé Cazuza foi mansinho para a delegacia atrás do sargento
Irineu.
Que virou herói.
GILMAR MENDES
O Brasil está precisando urgente de um sargento Irineu para dar
voz de prisão ao ex-presidente Lula e levar preso para a Papuda, Bangu, Mossoró
, Campo Grande, qualquer uma das penitenciarias do pais.
Por favor, leitor. Se achou forte demais meu apelo, vá à primeira
banca de jornal, pegue a revista “Veja” desta semana, que está nas bancas, e
leia a escandalosa e inacreditavel historia, em cinco paginas, contada pelo
ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal, Gilmar Mendes. Lula está
assaltando e chantageando o Supremo, como um Zé Cazuza do PT.
O ex-presidente do Supremo, o notório e fraudulento Nelson Jobim,
que confessou haver adulterado a Constituicao na Constituinte, para dar mais
dinheiro aos banqueiros, convidou Gilmar Mendes a ir a seu escritório de lobby
e advocacia administrativa em
Brasilia. Lá estava Lula esperando,
CHANTAGEM
1 - “Lula disse a Gilmar – “É inconveniente julgar esse processo (o
Mernsalao) agora”. “Já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um
ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse do seu partido. Mas o
ex-presidente Lula cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo
entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento”.
2 - “Depois de afirmar que detem o controle político da CPI do
Cachoeira, Lula ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes dizendo que ele não
teria motivo para preocupação com as investigações. Se Gilmar aceitasse ajudar
os mensaleiros,ele seria blindado na CPI. Um ex-presidente oferecendo saldo
conduto a um ministro da mais alta corte do país.”
3 - “Fiquei perplexo, disse Gilmar à “Veja”, com o comportamento e
as insinuações despropositadas do ex-presidente Lula. Lula perguntou: – “E a
viagem à Berlim?” O ministro confirmou o encontro em Berlim com o senador
Demostenes Torres e disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo
como comprovar as origens dos recursos: – “Vou à Berlim como você vai a São
Bernardo. Minha filha mora lá. Vá fundo na CPI.”
AYRES BRITO
4 – “O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao
Procurador Geral da República e ao Advogado Geral da União”.
“Mendes ainda ouviu Lula revelar que encarregaria o amigo Sepulveda
Pertence de conversar sobre o processo com a ministra Carmen Lúcia, do STF: -“O
Pertence vai cuidar dela”. E mais:
“- Eu disse ao Toffoli que ele tem de
participar do julgamento.” (Toffoli foi assessor de José Dirceu e a mulher
dele, Roberta Rangel, é advogada de “Dirceu e três mensaleiros). Sobre Joaquim
Barbosa:- “É um complexado, um traidor”. “O Dirceu está desesperado”.
![]() |
| DE VOLTA ! |
O presidente do STF Ayres Brito resume: – “O Lula me disse que
qualquer dia desses a gente toma um vinho. Depois que conversei com o Gilmar,
acendeu a luz amarela”.
Chamem o sargento Irineu para prender Lula.
Imagens inseridas pelo Blog.
Imagens inseridas pelo Blog.
1 de jun. de 2012
A nota para a imprensa é falsa
Gen Bda Ref Paulo Chagas
Gen Bda Ref Paulo Chagas
Caros amigos
O Sr Embaixador Celso Amorim não seria tão
inocente, ousado e abusado a ponto de querer tornar-se o preceptor dos militares
e dar-lhes lições de moral e de economia doméstica, muito menos quando a lição
envolve tema sensível como a dignidade da Família
Militar!
O Sr Ministro ainda tem muito a aprender, mas a
idade e a carreira de estado que escolheu, e por cujos critérios conquistou
todos os postos, devem ter-lhe ensinado que a arrogância e a presunção são
qualificativos que depreciam a autoridade junto a qualquer coletividade,
particularmente no ambiente da caserna, onde a humildade é a virtude que define
o comportamento exigido do chefe que pretende lustrar sua ação com o brilho da
liderança!
O Sr Embaixador, embora noviço em assuntos
militares, já deve ter sido informado de que ser Soldado não é apenas vestir uma
farda, receber e cumprir ordens, portar e manejar armas e munições, ter comida
no rancho, cama no alojamento, água no cantil e ração no bornal ! Ele já sabe que
ser Soldado é, antes de tudo, ser um cidadão, homem ou mulher, que, por vocação
e amor à Pátria, jurou a ela dedicar o valor da vida, a vida inteira,
exclusivamente !
O Sr Embaixador já tem, com certeza,
conhecimento de que, na visão dos Militares, à Pátria tudo se dá e nada se pede, e ela, por intermédio de seus demais filhos, reconhece, como tem reconhecido, o
valor, a importância, a dedicação, o sacrifício e, principalmente, a honestidade
e o caráter dos seus Soldados, valores em falta no Brasil desde que corruPTos assumiram os postos chave da
nação!
O Sr Ministro já deve saber também que o
juramento e a dedicação exclusiva do Soldado incluem sofrimento e treinamento
técnico, físico e moral, à exaustão ! O Soldado tem que saber, e sabe, o que é
passar fome, sentir dor, ter sede e esgotamento físico. Isto faz parte da sua
preparação para a guerra, mas, nesta preparação não está incluída a participação
da sua família, nem tão pouco a negação do seu direito de ter uma família ! Pelo
contrário, para dispor-se a passar por todas as adversidades que lhe impõem a
profissão, o Soldado tem que ter a certeza de que tem um lar e sua família a
esperá-lo e que esta está protegida por um mínimo de dignidade, como muito bem
sublinhou o Sr Comandante do Exército no último dia 19 de
abril !
É importante, portanto, aproveitar este ensejo
para lembrar ao Sr Ministro da Defesa, Embaixador Celso Amorim, como foi dito no
derradeiro parágrafo da falsa mensagem, que "a profissão militar exige
disciplina não só nos afazeres profissionais diários, mas também na condução da
vida privada, o que remete a uma conduta de parcimônia e desprendimento no uso
da pecúnia percebida como remuneração, sendo a vida simples e o desapego a bens
materiais uma virtude" PRATICADA pelo soldado, muito além do que
lhe tem sido dado em troca e em reconhecimento por seu trabalho, por sua
importância e por sua dedicação à
Pátria!
Caros amigos, a "nota para a imprensa" é falsa,
mas nos dá a oportunidade para participar e contribuir para o aprendizado do Sr
Ministro e para darmo-nos a conhecer um pouco mais a ele !
Gen Bda Paulo
Chagas
31 de mai. de 2012
NIEMEYER: UM SÉCULO DE
HIPOCRISIA
Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
"É divertidíssima
a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o
socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo
sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo
burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola..."
(Roberto Campos)
O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida
sob grande reverência da mídia. Ele foi tratado como "gênio" e um "orgulho
nacional", respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em
primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise
técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui
tratar.
Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de Niemeyer e tantos outros "artistas e intelectuais". O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.
O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida
sob grande reverência da mídia. Ele foi tratado como "gênio" e um "orgulho
nacional", respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em
primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise
técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui
tratar. Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de Niemeyer e tantos outros "artistas e intelectuais". O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.
Niemeyer não passa de um hipócrita. Seus inúmeros trabalhos
realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma vasta e
incalculável fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se
um homem muito rico. Não consta nas minhas informações que ele tenha doado sua
fortuna para os pobres. Enquanto isso, o capitalista "egoísta" Bill Gates já
doou vários bilhões à caridade.
Além disso, a "igualdade" pregada por
Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja ditadura cruel o arquiteto até hoje
defende. Gostaria de entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior
genocida da América Latina, pode ser uma figura respeitável enquanto ser humano.
Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe garanto se tratar ou de um
perfeito idiota ou de um grande safado.
Na prática, Niemeyer é um
capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior espécie: o que usa a
retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu em
São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 convidados. Bem ao lado, vivem os
milhares de favelados da Rocinha.
Artistas de esquerda são assim mesmo:
adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro aclamado artista socialista é
Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe, de sua mansão, aqui ou em
Paris E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem afastados de seus
eventos.
A definição de socialista feita por Roberto Campos nos remete
diretamente a estes artistas: "No meu dicionário, 'socialista' é o cara que
alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro
alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os
outros".
Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos
empresários que criam riqueza através de inovações que beneficiam as massas,
acabam vítima da inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um
negócio, gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de
trocas voluntárias, é tachado de "egoísta", "insensível" ou mesmo "explorador"
por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum hipócrita
que prega aos quatro ventos as "maravilhas" do socialismo, vivendo no maior luxo
que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é ovacionado por uma legião
de perfeitos idiotas, de preferência se boa parte de sua fortuna for fruto de
relações simbióticas com o governo. Em resumo, os esquerdistas costumam invejar
aquele que deveria ser admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É
muita inversão de valores!
Recentemente, mais três cubanos fugiram da
ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque,
por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o "paraíso" comunista,
que faz até o Brasil parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a
ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três "fugitivos" que buscam a
liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três
adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria
uma troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os
comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma sugestão, na
verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo que colocam suas
ações onde estão suas palavras, provando que realmente admiram Cuba. Verissimo
recentemente chegou a escrever um artigo defendendo Zapata e Che Guevara. Não
seria maravilhoso ele demonstrar a todos como de fato adora o resultado dos
ideais dessas pitorescas figuras? Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um
centenário defendendo atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças
diante dos fatos. O que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto
pessoa? Os "heróis" dos brasileiros me dão calafrios!
Eu só lamento, nessas horas, não acreditar
em inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer quando batesse as
botas do que ter de viver eternamente num lugar como Cuba, a visão perfeita de
um inferno, muito mais que a de Dante. E claro, sem ser amigo do diabo, pois uma
coisa é viver em Cuba fazendo parte da nomenklatura de Fidel, com direito a
casas luxuosas e Mercedes na garagem, e outra completamente diferente é ser um
pobre coitado qualquer lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para este
defensor de Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos
idiotas.
Ato falho
Olavo de
Carvalho
Diário do Comércio, 31 de maio de 2012
Um precedente histórico sangrento pode ilustrar a deformidade mental que inspira os trabalhos da Começão de Dinheiro Público, a que um lance de humorismo macabro deu o nome de “Comissão da Verdade”.
O mundo inteiro sabe do genocídio ruandês de 1994, quando, segundo a versão consagrada, a maioria de raça hutu matou a tiros, facadas e machadadas 75 por cento da minoria tutsi, mais de um milhão de pessoas.
No curso do morticínio, os tutsis também cometeram crimes, mas o Tribunal Penal Internacional decidiu não investigá-los, sob o pretexto edificante de que estavam previamente justificados como reações compreensíveis da minoria oprimida à violência da maioria agressora.
Resultado: os hutus e principalmente seus comandantes militares entraram para os anais da crueldade universal como autores únicos e exclusivos de um massacre despropositado, politicamente inútil e moralmente abjeto.
Bernard Lugan, o maior historiador de assuntos africanos que o Ocidente já conheceu, atualmente professor da Universidade de Lyon, trabalhou como consultor do Tribunal e publicou dois livros a respeito da tragédia ruandesa, subscrevendo a narrativa oficial.
Decorridos treze anos da sentença, Lugan teve acesso a uma documentação mais completa e, num exemplo raro de coragem e honradez intelectual, confessou que ele e o Tribunal estavam completamente errados:
1) Quem começou a briga foi o general tutsi Paul Kagame, que mandou explodir com dois mísseis soviéticos o avião em que viajava o presidente ruandês Juvenal Habyarimana e, por meio de um golpe de Estado, se fez presidente de Ruanda com o apoio de uma minoria eleitoral ínfima.
2) O massacre não foi iniciativa unilateral dos hutus, mas um conflito generalizado em que as duas facções combatentes agiram de maneira igualmente criminosa: no fim das contas, morreram 600 mil tutsis e 500 mil hutus. A denominação mesma de “genocídio” acaba se revelando inadequada para descrever os acontecimentos, mais propriamente definidos, portanto, como genuína guerra civil.
3) Na confusão que se seguiu ao assassinato do presidente Habyarimana, os militares hutus não cederam a nenhuma tentação de golpe de Estado, mas fizeram o possível para manter a ordem constitucional, acabando por perecer como vítimas de um legalismo abstrato que, naquelas condições, se revelou incapaz de controlar a fúria popular.
4) A minoria tutsi havia governado Ruanda pacificamente durante séculos, amparada num prestígio de casta que a maioria aceitava sem reclamar. Foi a ONU que introduziu à força o critério democrático do “governo da maioria”, quebrando de repente a ordem tradicional e desencadeando a crise que culminaria na guerra civil. O resultado final do conflito foi a derrota da democracia impossível e o retorno ao velho sistema africano do governo de casta... com o apoio da própria ONU.
5) A pressão do movimento anticolonialista internacional, em que a URSS e os EUA se deram as mãos numa estratégia conjunta para a destruição das potências coloniais européias, forçou o exército francês a se retirar de Ruanda em dezembro de 1993, deixando o país à mercê de tropas nacionais obviamente incapazes de manter a ordem: quatro meses depois, começava a guerra civil, que jamais teria acontecido se os soldados franceses ainda estivessem ali presentes.
Ao recusar-se a investigar os crimes cometidos pelos tutsis, a ONU não fez senão camuflar sob a infalível retórica humanitária a sua própria parcela de responsabilidade – a maior de todas, sem dúvida – na produção do morticínio.
Se puderem, leiam Rwanda: Contre-Enquête sur le Genocide, Toulouse, Éditions Privat, 2007, onde o grande historiador se revela também um grande homem.
Mutatis mutandis, a coisa mais óbvia do mundo é que o golpe de 1964 nunca teria acontecido se o presidente João Goulart não tivesse se acumpliciado a Fidel Castro nos seus planos de revolução continental, chegando a acobertar as guerrilhas que já em 1963 estavam em plena atividade no Nordeste brasileiro, orientadas diretamente desde Cuba e sob a direção local do chefe das Ligas Camponesas, Francisco Julião.
Quando exclui do seu campo de investigações os crimes cometidos pela esquerda terrorista, a “Comissão da Verdade”, que não passa de uma vulgar equipe de propaganda a serviço da esquerda dominante, busca varrer para baixo do tapete fatos essenciais que, divulgados como merecem, desfariam em pó a lenda de que as guerrilhas nacionais foram uma reação “democrática” ao regime militar instalado no país em abril de 1964 – quase um ano depois de descoberta a guerrilha de Julião.
Ao inaugurar a porcaria, o ex-ministro José Carlos Dias, que tem uma longa folha de serviços prestados à esquerda revolucionária, incorreu num ato falho freudiano quando declarou: “Não seremos os donos da verdade, mas seus perseguidores obstinados.” O verbo “perseguir” tem às vezes a acepção de “buscar”, porém mais freqüentemente significa, segundo o Caldas Aulete, “atormentar, castigar, punir, fazer violência”. A Comissão, portanto, já começou a mostrar serviço. Perseguida e acossada, a verdade histórica não tem ali a menor chance de prevalecer.
30 de mai. de 2012
![]() |
| VITOR VIEIRA |
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou nesta terça-feira, por meio da assessoria do órgão, que não é da competência dele analisar o pedido da oposição para que investigue a suposta pressão do ex-presidente Lula sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de adiar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.
A assessoria da Procuradoria Geral da República informou que, como Lula não possui mais foro privilegiado, o procurador-geral da República irá encaminhar o requerimento dos partidos de oposição para a primeira instância. Se Lula ainda fosse presidente, e, portanto, tivesse prerrogativa de foro, o procurador-geral teria a incumbência de analisar o caso.
De acordo com a assessoria da Procuradoria-Geral da República, o dispositivo deverá ser enviado para o procurador-geral do Distrito Federal, Rogério Leite Chaves, na medida em que o suposto ilícito teria ocorrido em sua jurisdição. Ainda que Gilmar Mendes tenha direito ao foro privilegiado por ser ministro da Suprema Corte, a prerrogativa não se aplicaria ao caso, explicou a Procuradoria Geral da República, em razão de o alvo da requisição ter sido Lula. O documento endereçado a Gurgel por parlamentares de PSDB, DEM, PPS e PSOL tem como alvo somente o ex-presidente. Os partidos oposicionistas argumentam que Lula teria cometido tráfico de influência, corrupção ativa e coação.
Imagem inserida pelo Blog
Chá Verde
Monge:
O que a irmãzinha deseja?
Mulher: Senhor, eu não sei o que fazer. Toda vez que meu marido chega em casa "bêbado", ele me enche de pancada ...
Duas semanas depois, ela retorna ao monge e parecia ter nascido de
novo.
Mulher: Senhor, seu conselho foi brilhante! Toda vez que meu
marido chegou em casa "bêbado", eu gargarejei, fiz bochecho com o chá e meu
marido
desmaiou na cama sem me bater"!
Monge: Tá vendo, irmãzinha, como ficar de boca fechada resolve?

A primavera em Cuba vai demorar
29 de maio de 2012
Por Luiz Eduardo Vasconcelos e Odemiro Fonseca (foto)
Visitar Havana é ver que o tempo pode parar. A arquitetura das casas e prédios parou no modernismo dos anos cinquenta. Os carros pararam nos rabos de peixe. Os bares pararam nos mojitos e daiquiris.
Nas pessoas, há languidez na forma de agir. E os costumes à mesa, nas roupas, na linguagem, no conhecimento e na forma de argumentar, mostram que o longo isolamento criou um fosso comportamental entre a ilha e o mundo.
Esta ilha linda, habitada por um povo alegre e musical, nunca foi independente em economia. Primeiro os colonizadores espanhóis, com seus portos fechados e legitimando a escravidão, que somente acabou em 1886. As lutas anticoloniais devastaram os barões do açúcar e tabaco e entraram os americanos comprando tudo. Já se manifestava então o espírito antiamericano na aristocracia rural e entre os intelectuais.
Depois da revolução de 1959, vieram os russos, construindo usinas a óleo diesel e grandes obras. E autoestradas, até hoje vazias. Infraestrutura ajuda se for usada. Como no comunismo não existe custo de capital, é em tais países onde se vê os melhores exemplos de desperdício de capital. Agora Cuba vive de ajuda chinesa, do petróleo de Chaves e dos turistas – que este ano vão ser três milhões. Os canadenses patrocinaram o horrendo aeroporto internacional de Havana e o mundo patrocinou a restauração da bela Havana Velha, patrimônio da Humanidade.
Não se vê atividade agrícola, industrial, transporte nas estradas. A principal fonte cambial são os turistas, pelo uso do peso conversível, comprável em moeda estrangeira, cuja cotação fixada pelo governo força todos a usar tal moeda para pagar por tudo. Os preços ficam perto dos internacionais (o governo já aprendeu), mas quase tudo é da pior qualidade. O charme de Cuba atrai estranhas tribos de turistas, todas muito complacentes.
Os cubanos recebem salários em pesos nacionais, que consomem em produtos muito racionados, em mercados pèssimamente mantidos e supridos, que abrem poucas horas por dia. Como acontecia na Rússia, há roubo nas fábricas, que alimentam mercados informais. Educação superior é dada como alta, mas observa-se que muitos universitários não trabalham ou trabalham fora das profissões. E a qualidade da medicina é impossível de ser verificada por um estrangeiro. Sem liberdade as pessoas não tem como usar educação.
Depois de 53 anos de ditadura, o povo cubano tem medo dele mesmo. A liderança cubana parece inerte e misteriosa
A revolução cubana foi salva por um bônus populacional. Eram 7,1 milhões em 1960. Hoje são 11,1 milhões, com população declinante. A população em 1960 já crescia pouco e havia boa infraestrutura. Se a população cubana tivesse crescido como a mexicana ou brasileira, Cuba seria hoje uma favela de 22 milhões de pessoas. Se a população cubana tivesse crescido como a do Equador ou Venezuela, Cuba seria hoje uma favela de 30 milhões de pessoas. Mas mesmo com o bônus populacional, o resultado não é animador. As séries de Angus Maddison mostram que a renda per capita de Cuba em 1950 era a quinta entre os 22 maiores latino-americanos, depois da Venezuela, Argentina, Uruguai e Chile. Em 2001 Cuba estava entre os quatro piores, adiante de Honduras, Nicarágua e Haiti.
O importante porto de Havana definhou a partir de 1960. Mas agora Cuba tem um novo patrocinador – o Brasil. O BNDES financia (85% do investimento mais linhas de crédito para Cuba importar alimentos e máquinas agrícolas) e a Odebrecht constrói o porto de Mariel, para ser uma zona franca. Fomos detidos, longe do canteiro, por um guarda armado, por tirarmos fotos. Retiveram nossos documentos e quando a novela terminou, o nosso motorista, antes exaltando “o maior porto da America Latina”, estava muito silente e preocupado.
Vários destes episódios de controle social (paradas em postos policiais, ameaças aos guias dos turistas – “cuidado com o que falas”, lorotas incríveis) potencializados pela ridícula TV e imprensa estatal, ausência de livros e internet, impossibilidade de viajar e os ainda existentes CDRs (Comitês de Defesa da Revolução – que são por quarteirão e participação compulsória), mostram que a primavera cubana está longe de acontecer. Depois de 53 anos de ditadura, o povo cubano tem medo dele mesmo. A liderança cubana parece inerte e misteriosa. Ninguém sabe como e onde vivem e o que fazem. Mas fala-se à boca pequena sobre Chaves. Hospeda-se na antiga residência do embaixador brasileiro. Este palácio residencial foi expropriado quando as relações diplomáticas foram cortadas e depois de reestabelecidas, o Brasil nunca solicitou a devolução.
Luiz Eduardo Vasconcelos e Odemiro Fonseca recentemente visitaram Cuba.
Assinar:
Postagens (Atom)
















