7 de mar. de 2011

OS SETE SAPATOS SUJOS DA LÍNGUA
Dad Squarisi - Correio Brasiliense - 06 Fev 2011

     Conhece Mia Couto? Moçambicano, ele estudou medicina e biologia. Mas se dedica às letras. Tem leitores cativos em Europa, França e Bahia. Os brasileiros o prestigiam em lançamentos, palestras e tietagens. Os patriotas também. Outro dia, convidaram-no para abrir o ano letivo do Instituto Superior de Ciências de Moçambique. O tema: os sapatos sujos da modernidade. 
     Ele justificou a escolha do assunto assim: "Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade, precisamos nos descalçar. Contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos modernos. Haverá muitos. Mas eu tinha de escolher. E sete é número mágico". 
·         O 1º sapato sujo: a ideia de que os culpados são os outros e nós somos sempre vítimas.
·         O 2º: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
·         O 3º: o preconceito de que quem critica é inimigo.
·         O 4º: a ideia de que mudar as palavras muda a realidade.
·         O 5º: a vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
·         O 6º: a passividade perante a injustiça.
·         O 7º: a ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros. 
     Xô, imundície 
     A língua também tem sapatos sujos. São muitos. Mas, como Mia Couto, escolhemos sete. Respondem pela imundície: preconceitos, descuidos, escola ruim. Que tal descalçá-los? Primeiro passo: conhecê-los. Segundo: deixá-los na soleira da porta.  
     — O mito de que o português é uma língua muito difícil. Talvez a mais difícil do mundo. 
     O português, como o inglês, o francês ou o chinês, é língua de cultura. Tem seu léxico, sua fonética, sua morfologia, sua sintaxe. Dominá-los exige estudo. É como se subíssemos uma escada com muitos degraus. Cada conquista representa um passo pro alto. Como lembra Mia Couto, o sucesso nasce do trabalho.  
     — A ideia de que ler e escrever bem são dons divinos. 
     Ler e escrever são habilidades. Jogam no time de nadar, correr ou digitar. Todas exigem treino. Muito treino. Para ser campeão olímpico, Cesar Cielo pratica 15 horas por dia. Para ganhar a São Silvestre, Marilson dos Santos se exercita cinco horas de domingo a domingo. Para ler e entender, escrever e ser entendido, impõe-se ler e escrever — muito e sempre. 
     — A crença de que quem não aprendeu a norma culta nos primeiros anos de escola não mais aprenderá. 
     Desculpa de preguiçoso, não? Papagaio velho aprende a falar sim, senhor. Precisa estudar. O Lula serve de exemplo. No início da carreira, tropeçava em flexões, concordâncias, regências. Hoje domina o padrão culto da língua. Viu? O inimigo não é o outro. Somos nós. 
     — A falácia de que não se devem apontar erros. 
     Apontar falhas ajuda a corrigir rumos. A correção tem hora e vez. Pais educam os filhos com palavras e exemplos. Avós, tios, primos, amigos os ajudam. A escola tem compromisso com a aquisição do conhecimento. Se se furtar a ensinar a norma culta, por exemplo, condenará muitos alunos a ficarem no andar de baixo. Quem critica, lembra o escritor moçambicano, não é inimigo. 
     — A ilusão de que as palavras escondem o raquitismo de ideias. 
     A prosa informativa se inspira na internet. É ágil, curta e fácil de ler. Perder-se no emaranhado de palavras bonitas impressionava nos dias em que tínhamos de ser criativos para matar o tempo. Não é o caso de agora. Hoje, tempo é luxo. Menos é mais. Menor é melhor. 
     — A crença de que eufemismo muda a realidade. 
     Adocicar o termo é como envolver o produto em celofane. A embalagem é bonita. Mas o interior não muda. Dizer "o caixa está indisponível" em vez de "o caixa quebrou" não muda a realidade: falta dinheiro para pagar as contas ou os credores.  
     — A ideia de que errar pega mal. 
     O teatrólogo Samuel Beckett responde: "Erre mais. Erre melhor"

A sobrevivência do M&M mais apto

     Sempre que compro um pacote de M&Ms, considero minha obrigação contribuir para o crescimento e fortalecimento desse confeito como espécie. Por isso eu promovo duelos de M&Ms.
     Tomando dois confeitos entre meu polegar e indicador, aplico pressão crescente, comprimindo um contra o outro, até que um deles se quebre em lascas. Esse é o "perdedor" e eu o como imediatamente. O vencedor vai para um novo round.
     Eu descobri que, de uma maneira geral, os M&Ms marrons e vermelhos são os mais resistentes, e que os azuis mais novos são geneticamente inferiores. Estou convencido de que os M&Ms azuis constituem uma raça sem perspectiva de sobrevivência no mundo altamente competitivo dos confeitos e caramelos.
     Ocasionalmente eu me deparo com uma mutação, um confeito que é disforme, ou pontudo, ou mais achatado que os outros. Quase que invariavelmente isso denota uma fraqueza, mas, em algumas raras ocasiões, dá ao confeito uma resistência extra. Acho que isso tem a ver com a adaptação das espécies a seu meio-ambiente.
     Quando o pacote termina, resta-me um único M&M - o mais forte daquele rebanho. Como não faria o menor sentido também comê-lo, eu o acondiciono cuidadosamente em um envelope e envio para a sede da M&M (M&M Mars, Mars Inc., Hackettstown, NJ 17840-1503 USA), juntamente com um bilhete: "Por favor, usem este M&M como reprodutor."
     Esta semana eles me responderam agradecendo e me enviando um pacote grátis de um quilo de M&M.
     Já reservei o fim-de-semana para um grande torneio. Entre centenas, nós iremos descobrir o verdadeiro campeão. Só pode haver um.
Adão e Eva - versão islâmica

Haikais cibernéticos
 
Erro de execução.
Todos os atalhos desapareceram.
Tela e mente, ambos vazios.
 
Seu arquivo era tão grande.
Ele poderia ter sido muito útil.
Mas foi-se.

A página que você procura
não pode ser localizada, 
mas existem muitas outras.

O cáos a reinar.
Reflita, reconsidere e reboot.
A ordem deve retornar.

Programa abortado:
encerre tudo que está fazendo.
Você quer saber demais,
 
Windows travou.
Eu sou a tela azul da morte.
Ninguém ouve seus gritos.

Ontem funcionou.
Hoje não está funcionando.
Windows é assim.

Primeiro neve, depois silêncio.
Este monitor, caríssimo, 
morre lindamente.
 
Com a busca vem a perda
e a presença da ausência:
"Meu livro" não encontrado.
 
O Tao que você vê
não é o verdadeiro Tao,
até que seja trocado o toner. 
 
Adote uma atitude paciente.
De que adianta sua raiva ?
A rede caiu.
 
O crash reduz
seu caríssimo computador
a uma simples pedra.
 
Três coisas são certas:
morte, impostos e perda de dados.
Adivinhe qual delas ocorreu.

Memória cheia.
Nós queremos abarcar o mundo,
mas jamais conseguiremos.

Tendo sido deletado,
o documento que você buscava
precisa ser redigitado.
A História do Universo em 200 palavras - ou menos
 
    Flutuação quântica. Inflação. Expansão. Interação nuclear forte. Aniquilação partícula-antipartícula. Produção do deutério e do hélio. Perturbações da densidade. Recombinação. Radiação do corpo negro. Contração local. Formação do conjunto. Reionização. Relaxamento violento. Virialização. Formação da galáxia. Fragmentação turbulenta. Contração. Ionização. Compressão. Hidrogênio opaco. Formação maciça de estrela. Ignição do deutério. Fusão do hidrogênio. Depleção do hidrogênio. Contração do núcleo. Expansão do envelope. Fusão do hélio. Carbono, oxigênio e fusão do silício. Produção do ferro. Implosao. Explosão da supernova. Injeção dos metais. Formação da estrela. Explosões da supernova. Formação da estrela. Condensação. Formação planetária. Diferenciação planetária. Solidificação da crosta. Expulsão temporária do gás. Condensação da água. Dissociação da água. Produção do ozônio. Absorção ultravioleta. Organismos unicelulares fotosintéticos. Oxidação. Mutação. Seleção e evolução naturais. Respiração. Diferenciação celular. Reprodução sexual. Fossilização. Exploração da terra. Extinção dos dinosauros. Expansão dos mamíferos. Glaciação. Manifestação do homo sapiens. Domesticação animal. Excesso de produção de alimento. Civilização. Inovação. Exploração. Religião. Nações guerreando. Criação e destruição do império. Exploração. Colonização. Taxação imposta. Revolução. Constituição. Eleição. Expansionismo. Industrialização. Rebelião. Emancipação. Invenção. Produção maciça. Urbanização. Imigração. Conflagração mundial. Liga das Nações. Sufrágio universal. Depressão. Queda do muro. Explosões nucleares. Nações Unidas. Exploração do espaço. Assassinatos. Expedições lunares. Renúncia. Computação. Organização Mundial de Comércio. Terrorismo. Expansão da Internet. Reunificação. Dissolução. Criação da rede mundial. Composição. Extrapolação. Celular. Redes Sociais.
Nossos comerciais
Com o fim da espécie humana...

6 de mar. de 2011

Pac Man

Livros que definem o pensamento ocidental
Textos completos, em inglês

PLATÃO The Republic (355AC) The Symposium (355AC) The Apology (355AC)
ARISTÓTELES Nicomachean Ethics (300AC) The Politics (300AC)
EPICURO Sovran Maxims (300AC)
MARCO AURÉLIO Meditations (180AD)
SANTO AGOSTINHO Confessions (390)
SEVERINO BOETHIUS The Consolation of Philosophy (520)
ERASMO In Praise of Folly (1515)
THOMAS MORE Utopia (1515)
MACHIAVELL The Prince (1520)
HOBBES Leviathan (1651)
PASCAL Thoughts (1660)
SPINOZA Ethics (1677)
LEIBNIZ Monadology (1698)
ROUSSEAU  The Social Contract (1762)
ADAM SMITH The Wealth of Nations (1776)
THOMAS PAINE The Rights of Man (1792)
MARY WOLLSTONECRAFT Vindication of the Rights of Women (1792)
MARQUÊS DE SADE Philosophy in the Boudoir (1795)
AUGUSTO COMTE Positive Philosophy (1795)
CLAUSEWITZ On War (1830)
SCHOPENHAUER The World as Will and Idea (1844)
MARX E ENGELS The German Ideology (1846)
JOHN STUART MILL On Liberty (1859) A System of Logic (1843)
THOREAU Walden (1854)
NIETZSCHE Beyond Good and Evil (1886)
FREUD Psychoanalysis (1910)
EINSTEIN Relativity (1916)
WITTGENSTEIN Tractatus Logico-Philosophicus (1921)
A.J. AYER Language, Truth + Logic (1936)

CHEGOU A CONTA
Diário do Nordeste – 20 Fev 2011
O corte de 50 bilhões de reais no orçamento da União é apenas uma pequena parcela da imensa conta deixada pelos oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Tem muito mais coisa debaixo do tapete para o brasileiro pagar nos próximos anos.  E não vaI ser fácil.
Nunca na história deste País um governo foi tão imprudente e praticou a gastança desenfreada dos dinheiros públicos como o dos companheiros do PT.  E o resultado, maquiado por uma intensa propaganda enganosa, pela distribuição nada responsável do dinheiro público com a Invenção do emprego sem trabalho, e também pela corrupção incentivada pela impunidade que tomou conta do Brasil, começa a aparecer.
O esbanjamento no “país de todos” - ou de alguns dos todos - legou a Dilma Rousseff uma herança maldita, que ela não poderá esconder.
O Pals está quebrado ! 
Não há dinheiro para investimentos.  Por todo o território nacional as estradas estão em frangalhos.  O sistema público de saúde é um dos piores do mundo, com as pessoas buscando mandados judiciais para conseguir internação ou um remédio, e morrendo nas filas dos hospitais.  O ensino público chegou ao fundo do poço e estamos importando não apenas profissionais de nível superior, mas bombeiros, encanadores, carpinteiros e pedreiros do exterior. 
Dona Dilma, por enquanto, tenta não abrir o jogo, fazendo de conta que o seu governo é a continuação do anterior.  Graças á Deus parece que não é.  No sufoco, eia mandou cortar gastos.  Como resultado, milhares de jovens aprovados em concursos públicos não serão nomeados, muitos dos quais largaram empregos para assumir novo cargo.  Centenas de milhares de outros que estudaram dia e noite, ficarão sem a chance de tentar um emprego público.  O reaparelhamento das Forças Armadas entra em banho-maria.  Já tivemos o primeiro apagão no sistema elétrico, que o ministro Lobão gaiatamente chamou de apenas, uma “falta de energia”.  E a inflação volta a ameaçar, pondo em risco o sucesso do plano real. 
Sem dinheiro para Investir em obras essenciais, a presidente tem que cortar gastos e mais gastos.  Para começar deve meter logo a tesoura na farra de mais de 100 mil ONGs que vivem  do dinheiro público, grande parte formando um Imenso mar de corrupção; nas verbas que sustentam a malandragem dos companheiros do MST e outros “movimentos” que usam o dinheiro público para invadir terras e levar Intranquilidade ao campo. 
Esses 50 bilhões são quase nada diante do que ainda teremos que ver pela frente, lembrando que a dívida imterna herdada pela companheira chega quase aos 2 trilhões de reais, mais de três vezes , do total das nossas dívidas, coisa nunca vista na, história deste País e que jamais poderá ser paga. 
E não dá para botar a culpa na ditadura militar nem no FHC.