7 de abr. de 2013

ADEUS COMPANHEIRA

IMAGEM INSERIDA PELO BLOG
 

Miraram na raposa, acertaram na ovelha. É isso que acontece quando uma lei é feita apenas para satisfazer grupos ideológicos.

FABIO BLANCO | 04 ABRIL 2013

E as empregadas domésticas? Venderam a elas a ideia de que agora teriam os direitos idênticos aos de todos os empregados formais, que passariam a gozar de férias, FGTS, horas extras... E algumas estavam até comemorando, pois, se o pessoal lá de Brasília falou que elas têm direito, então, a partir de agora, bastaria exigi-los.

Doce ilusão! 

O que elas estão recebendo, e em massa, são comunicações de dispensa.
Alguém pensou que seria diferente? Acreditem, o poder público não pode direcionar o mercado como muitas pessoas acham que ele pode. Ele tenta, cria normas, faz leis, impõe regras, mas, no fim das contas, o fator decisivo sempre será a oferta e a procura.
O que os fazedores de lei esqueceram, neste caso, é que o trabalho doméstico, se muitas vezes parece indispensável, é uma necessidade de natureza bastante diversa em comparação ao trabalho em uma empresa comercial. Esta, por definição, precisa de empregados para existir, para prestar seus serviços, fabricar seus produtos, vender seus bens. Sem funcionários uma empresa não existe. O trabalho doméstico, pelo contrário, por mais que pareça indispensável, em sua ausência não se altera a natureza do domicílio. Pode causar alguns transtornos, mas o lar permanece um lar, com ou sem empregada.

Ora, bastava dar uma olhadinha para países mais ricos, como os EUA e Canadá, para saber que o endurecimento de regras trabalhistas, ao invés de colaborar para o implemento de direitos, de fato, impedem sua efetivação. Nesses países o trabalho doméstico é quase inexistente. Com exceção de pessoas com muito dinheiro, poucos se atrevem a contratar um trabalhador doméstico com todos os encargos que lhe são peculiares. Porém, nesses países mais ricos o impacto dessa impossibilidade é absorvido por outras oportunidades de emprego. Aqui no Brasil, porém, onde ainda para pessoas sem formação específica a oferta de trabalho não é assim tão abundante, conceder direitos formais, ao invés de conceder ganhos para os supostos beneficiados, é o que acaba promovendo é o desemprego.
O resultado dessa lei será, portanto: a demissão em massa de trabalhadoras domésticas, lançando-as para o trabalho autônomo de diaristas, com o óbvio aumento de oferta desse tipo de serviço, com a consequente diminuição dos valores de remuneração, exatamente por causa da concorrência. Quiseram favorecer os empregados, acabaram apenas favorecendo os patrões. Principalmente aqueles que sempre fugiram de arcar com os custos trabalhistas. Miraram na raposa, acertaram na ovelha.
É isso que acontece quando uma lei é feita apenas para satisfazer grupos ideológicos. Estes, normalmente, são terrivelmente míopes para a história e para os fatos. Vêem tudo pela ótica do explorador e explorado, pela luta de classes e não percebem que, na realidade, as relações são bem mais complexas do que isso. O que mais ouvi, nestes dias, foi a retórica da libertação das domésticas, o fim de sua escravidão, e que essa era a última conquista que restava na área trabalhista. Porém, será que nunca se perguntaram o motivo delas possuírem menos direitos que os trabalhadores de empresas? Talvez, sim. Porém, como é de praxe, concluíram que isso devia-se a preconceito, interesse ou segregação.
Ao que parece, que nenhum deles parou para pensar é que a natureza do trabalho doméstico é completamente diferente do trabalho empresarial. Melhor dito: o empregador doméstico jamais pode ser colocado em pé de igualdade com o empresário. Este, ao pagar salários, incorpora esses gastos nos preços de seus produtos e serviços. Por isso, o número de funcionários que possui depende, diretamente, da projeção de vendas e negócios que espera realizar. O empregador domiciliar, pelo contrário, paga sua empregada doméstica com o dinheiro de seu próprio bolso, sem possibilidade de reembolso. Aqui, funcionário é apenas gasto; lá, é investimento.
Por tudo isso, já se pode considerar esta uma das piores leis trabalhistas da história.
Fabio Blanco é advogado e teólogo.



Faz 100 dias que Lula afronta o Brasil decente com o silêncio sobre o caso de polícia em que se meteu ao lado de Rose

Direto ao Ponto - Jornalista Augusto Nunes



Faz 100 dias que os brasileiros decentes foram afrontados pela descoberta do escândalo em que Lula se meteu ao lado de Rosemary Noronha. Faz 100 dias que o país que presta é afrontado pela mudez malandra do caçador de votos que promoveu uma gatuna de quinta categoria a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Faz 100 dias que o ex-presidente foge de perguntas sobre o caso de polícia que protagonizou em companhia da Primeiríssima Amiga e dos bebês quadrilheiros de Rosemary.

Surpreendido pela divulgação das maracutaias comprovadas por policiais federais engajados na Operação Porto Seguro, Lula fez o que sempre faz quando precisa costurar algum álibi menos cretino: perdeu a voz e sumiu. Passou a primeira semana enfurnado no Instituto Lula. Passou as duas seguintes longe do Brasil, driblando repórteres com escapadas pela porta dos fundos ou pela cozinha do restaurante.

Recuperou a voz no começo do ano, mas ainda garimpa no porão das desculpas esfarrapadas alguma que o anime a enfrentar jornalistas armados apenas de perguntas sem resposta. Para impedir que a aproximação do perigo, tem recorrido a cordões de isolamento, cercadinhos, muralhas humanas e outras mesquinharias improvisadas para livrá-lo de gente interessada no enredo da pornochanchada financiada por cofres públicos que apresentou ao Brasil, entre outros espantos, os talentos ocultos de Rosemary Noronha.
 
O silêncio que vai completando 2.500 horas, insista-se, só vale para o caso Rose. Entre 23 de novembro de 2012 e 3 de março de 2013, excluídos os poucos dias em que teve de desativar o serviço de som, o palanque ambulante continuou desempenhando simultaneamente os papeis de co-presidente da República, presidente honorário da base alugada, chefe supremo da seita, protetor dos pecadores companheiros, arquiteto do Brasil Maravilha e consultor-geral do mundo.

Abençoou catadores de lixo e metalúrgicos, leu mais de 300 livros, fingiu entender o que Sofia Loren disse em italiano, avisou que os EUA nunca mais elegerão um negro se Barack Obama fizer besteira, louvou bandidos de estimação, insultou a oposição, deliberou sobre a tragédia ocorrida no jogo do Corithians em Oruro, explicou aos governantes europeus como se transforma tsunami em marolinha, recomendou a FHC que pare de dizer o que pensa e descobriu que Abraham Lincoln reencarnou no Brasil com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Fora o resto.

Só não falou sobre o que importa, agarrado à esperança de sobreviver sem fraturas expostas ao primeiro escândalo que não pode terceirizar. Não houve intermediários entre Lula e Rose. Não há bodes expiatórios que a apresentar. É natural que fuja como o diabo da cruz de pelo menos 40 perguntas formuladas pelo timaço de comentaristas:

1. Por que se recusa a prestar esclarecimentos sobre um escândalo investigado pela Polícia Federal que o envolve diretamente?

2. Considera inconsistentes as provas reunidas pela Operação Porto Seguro?

3. Por que disse em Berlim que não se surpreendeu com a Operação Porto Seguro?

4. Desta vez sabia de tudo ou, de novo, nunca soube de nada?

5. Onde e quando conheceu Rosemary Noronha?

6. Como qualifica a relação que mantém com Rose há 17 anos?

7. Em quais critérios se baseou para instalar uma mulher sem experiência administrativa na chefia do gabinete presidencial em São Paulo?

8. Por que pediu a Dilma Rousseff que mantivesse Rose no cargo?

9. Por que criou os escritórios da Presidência da República?

10. Continua achando necessária a existência de escritórios e chefes de gabinete?

11. Além de demitir Rose, Dilma Rousseff extinguiu o cargo que ocupava. A presidente errou?

12. Por que Rose foi incluída na comitiva presidencial em pelo menos 20 viagens internacionais?

13. Por que foi contemplada com um passaporte diplomático?

14. Quem autorizou a concessão do passaporte?

15. Por que o nome de Rosemary Noronha nunca apareceu nas listas oficiais de passageiros do avião presidencial divulgadas pelo Diário Oficial da União?

16. Quem se responsabilizou pelo embarque de uma passageira clandestina?

17. Por que Marisa Letícia e Rose não eram incluídas numa mesma comitiva?

18. Quais eram as tarefas confiadas a Rose durante as viagens?

19. Todo avião utilizado por autoridades em missão oficial é considerado Unidade Militar. Os militares que tripulavam a aeronave sabiam que havia uma clandestina a bordo?

20. Como foram pagas e justificadas as despesas de uma passageira que oficialmente não existia?

21. Por que nomeou os irmãos Paulo e Rubens Vieira, a pedido de Rose, para cargos de direção em agências reguladoras?

22. Examinou o currículo dos nomeados?

23. Por que o aliado José Sarney, presidente do Senado, convocou irregularmente uma terceira sessão que aprovou a nomeação de Paulo Vieira, rejeitada em votação anterior?

24. Acha que são culpados?

25. Por que comunicou à imprensa, por meio de um diretor do Instituto Lula, que não comentaria o episódio por considerá-lo “assunto pessoal”?

26. Por que Rose se apresentava como “namorada do presidente”?

27. Se teve o nome usado indevidamente, por que não processou Rosemary Noronha?

28. Conversou com Rose nos últimos 100 dias?

29. Por que Rose tinha direito ao uso de cartão corporativo?

30. Por que foram mantidos em sigilo os pagamentos feitos por Rose com o cartão corporativo ?

31. Autorizou a inclusão, na decoração do escritório da Presidência em São Paulo, da foto em tamanho família em que aparece simulando a cobrança de um pênalti?

32. O blog do deputado federal Anthony Garotinho afirmou que Rose embarcou para Portugal com 25 milhões de euros. Se a denúncia é improcedente, por que não processa quem a divulgou?

33. Como se comunicava com Rose? Por telefone? Trocavam emails?

34. Era previamente informado por Rose das reuniões que promoveria no escritório da presidência?

35. Depois das reuniões, era informado por Rose do que fora discutido e decidido?

36. Por que, mais uma vez, alegou ter sido “traído”? Quem o traiu?

37. Se pudesse recuar no tempo, faria tudo de novo?

38. Não se arrepende de nada?

39. Não se envergonha de nada?

40. Que história contou em casa?

AUGUSTO NUNES É
JORNALISTA DA REVISTA VEJA
Há dias, Lula acusou a imprensa de negar-lhe o espaço que merece. Está convidado a preencher o espaço que quiser ,com respostas a essas perguntas. Todas serão publicadas na íntegra.     
Coragem, Lula!

4 de abr. de 2013



Seja um idiota:
a idiotice é vital para a felicidade.



Arnaldo Jabor - cineasta, livre pensador e prova viva de que ainda há vida inteligente no País dos Petralhas.





Caríssimos. 

O holocausto de Santa Maria, ao contrário do que apregoam os babacas da subjetividade, não foi a vitória do Imprevisto sobre a Previsibilidade, nem a derrota da Precaução pelo Infortúnio. Foi, sim, a sobreposição da Idiotice sobre o Bom Senso e o triunfo da Ganância sobre a Burocracia.

Primeiro, a Idiotice se fez carne e habitou entre nós. Uma das tarefas mais simples de ser realizada é disseminar a Idiotice. 

Se vocês, caros putzeiros, olharem ao redor verão exemplos disso em cada esquina, em cada discurso de político, em cada propaganda de cosmético. 

Já assistiram um desfile de moda? 

São mulheres anoréxicas caminhando feito saracuras sequeladas de AVC, vestindo roupas desenhadas por bichas loucas que não seriam usadas nem por outras bichas mais loucas.


Já viram o tal carnaval baiano?

São milhares de retardados perseguindo, em ruas apinhadas de seus pares, caminhões carregados de pagodeiros ou seja lá quem forem, distribuindo milhares de decibéis, todos com o único objetivo de ficar bêbados o mais cedo possível e depois da ressaca dizerem que foi o carnaval mais arretado do milênio.

Igual a espetáculo de rock: mais milhares de idiotas movidos a canabis e outras cositas, pulando feito jumentos com buscapés nos rabos, ao som de uma cacofonia infernal produzida por seis ou sete dementes com o uso de quatro acordes, que eles têm o desplante de chamar de música.

Todo esse conjunto de estupidezes tem um único objetivo: convencer as pessoas que o que é moda é o melhor para elas, e que ’’estar por dentro’’ é a suprema felicidade, enquanto eles, os promotores da estupidez, forram a guaiaca com a grana dos felizes consumidores.

E aí chegamos nas baladas.

Originariamente, nos séculos XIV e XV, a palavra referia-se a uma obra musical de um só movimento, na qual uma voz aguda se destacava e duas outras vozes mais graves faziam as vezes de instrumentos musicais, quando não os havia.

No Classicismo eram narrativas folclóricas arranjadas em composições.

No Romantismo, Chopin chamou de baladas quatro de suas peças para piano e foi o primeiro a usar o termo para obras exclusivamente instrumentais, no que foi posteriormente seguido por Brahms, Grieg Liszt e Fauré.

No século XXI, a balada sofreu uma metamorfose, e de expressão puramente artística, passou a designar uma espécie de reunião social hebefrênica, onde ninguém se conhece muito, mas todos usufruem do que de pior a espécie humana produziu um termos de entretenimento.

A balada contemporânea não é apresentada em ambiente de câmara, mas numa edificação chamada boate ou casa noturna, construída segundo os mais modernos conceitos de insalubridade.

Normalmente as paredes são pintadas de negro, dando o clima dark, apreciado por onze entre cada dez frequentadores descerebrados.

Embora a lei proíba o uso de cigarros e assemelhados no seu interior, ambos são consumidos, na proporção de dez assemelhados para cada cigarro. 

Caramelos contendo anfetaminas, ecstasy e outros estupefacientes são oferecidos à clientela.

Para evitar as reclamações da vizinhança pelo ruído produzido, as paredes são forradas de espuma de borracha sintética recobertas de papelão, tudo altamente inflamável, como se recomenda a um bom inferninho.

Luz, há pouca. Apenas canhões de laser e alguns spots coloridos, alternando--?se com flashes como os de fotografia, que disparam continuamente, de modo a ninguém perceber pela visão o que se passa a um metro do próprio nariz.

Às vezes, para delírio de todos, o contínuo espocar dos flashes dispara um gatilho neurológico provocando uma convulsão epiléptica num dos baladeiros.

Um outro artefato chamado Sputnik é responsável por uma imitação de fogo de artifício, produzindo faíscas altamente recomendáveis num ambiente inflamável. O tal Sputnik é uma espécie de morteiro que dispara acionado por uma faísca elétrica uma mistura de pólvora com areia refratária, atingindo a temperatura de até 3.000 graus centígrados.

Levem em consideração que a platina funde a 1.750 graus e o carbono a 3.485, e verão a potência destrutiva do artefato usado por brincadeirinha.

O encarregado do barulho é um profissional altamente valorizado, conhecido pelas iniciais DJ. Nenhum dos frequentadores sabe o significado da sigla, mas todos sabem a função do DJ – produzir decibéis em quantidades amazônicas, de modo a saturar a audição dos prezados frequentadores e impedir qualquer tentativa de comunicação através da palavra.

No mister de fazer barulho, conjuntos pseudomusicais chamados bandas apresentam-se quando o DJ vai esvaziar o joelho ou descolar um baseado nas coxias. Como sói acontecer, tais bandas escondem sua absoluta falta de talento entoando a milhão músicas que ofenderiam a inteligência de uma marmota com tumor cerebral e apresentando efeitos luminosos e pirotécnicos que desviam a atenção de sua infeliz parafernália cacofônica.

A segurança dos inferninhos é feita por uns caras enormes, vestidos de preto, alguns usando óculos de sol às três da matina. São ex-policiais normalmente expulsos das corporações, ex-presidiários ou lutadores de qualquer coisa. Sua função é a segurança, quer dizer, é segurar os consumidores que pretendem escafeder-se sem pagar a conta (que aqui chamam de comanda).

Por isso, as casas noturnas tem uma só saída, que é também a entrada, quando todas as legislações municipais obrigam a existência de saídas de emergência. Algumas chegam a ter uma sala para onde os fujões são levados e obrigados a pagar a conta na base da porrada ou coisa pior.

Proprietários de casa noturnas são uns caras da pior espécie. Como os banqueiros (de banco ou de bicho), seu negócio é ganhar dinheiro fácil e rápido, o que significa investir pouco e aplicar na bolsa (na bolsa dos outros, é claro).

Investir pouco quer dizer pagar barato por materiais de terceira categoria e burlar ou comprar a fiscalização. Por isso, o revestimento da Kiss era de papelão e espuma de poliuretano, muitíssimo mais barato, por exemplo, do que o isolamento termoacústico não inflamável baseado em nanotecnologia. E revisar periodicamente os extintores de incêndio, nem pensar. 

Assim, a Ganância triunfou sobre a Burocracia.

A espuma de poliuretano, quando queimada, libera uma mistura letal de cianetos, ácido clorídrico e monóxido de carbono. Nem os executores de Auschwitz fariam melhor.

A mesma ganância impulsiona os donos dessas arapucas a admitirem a entrada de quantas pessoas couberem no recinto.

No caso da Kiss, a boate tinha uma área de 615 m2. E, segundo as estimativas havia no seu interior entre 1.500 e 2.000 pessoas.

Façam a conta, por baixo: 615 : 1500 0,41

...ou seja, cada pessoa dispunha de 0,41m2 para “divertir-se”. Quer dizer um quadrado de 64 cm de lado!!! Se fossem 2.000 pessoas, o quadrado baixaria para 55 cm de lado.

Longe de mim criminalizar as vítimas, mas, pelas barbas do Profeta, o que leva alguém a frequentar um lugar onde dispõe de menos de meio metro quadrado, no escuro, sem poder falar, ter a audição lesionada por decibéis incontáveis, sem saída de emergência, respirando ar viciado e pagando 15 reais pela vagabunda e quente cerveja nacional?

A consumação da tragédia deu-se por mais um ato de idiotice sem precedentes: acender um sinalizador num ambiente fechado.

O resultado final foi o que se viu.

Na contramão da tragédia, a petezada não se fartou de faturar. 

Dilma veio ao Rio Grande com a respectiva comitiva de sicofantas e apaniguados e exigiu “providências urgentes” no atendimento aos feridos. Imediatamente apareceram como por milagre respiradores, oxigenadores, médicos, enfermeiros, leitos hospitalares e tudo o mais que falta rotineiramente aos pacientes do SUS, bem como grana grossa à bolapé.

Dilma não conteve abundantes lágrimas ao lado de Tarso et caterva, ao ver os até então 231 corpos atirados no chão de um estádio. Dilma é assim, tri-emotiva. 

Dilma choraria até desidratar-se em lágrimas se visse alinhados como os imolados de Santa Maria:

- os 50.000 cidadãos que morrem por ano em acidentes de trânsito;

- o40.000 brasileiros que morrem por assassinato; e

- os 8.000 jovens que morrem por overdose.

Aí apareceriam verbas para as estradas, dinheiro para as cadeias pena de morte para os traficantes. 

Enquanto nada acontece, só resta dizer triplo 




M É D I C I

Nelson Rodrigues

Não há nome intranscendente e repito:  qualquer nome insinua um vaticínio.

Todo o destino de Napoleão Bonaparte está no seu cartão de visitas.

Ao passo que um J. B. Martins da Fonseca não tem nenhum destino especial e vou mais longe:  não tem destino.  Quando baptizaram William Shakespeare, o padre poderia perguntar-lhe:  "Como vão tuas Obras completas?".  No simples "William Shakespeare" estava implícita a música verbal do seu teatro.

Mas um certo nome exige uma certa cara.  Napoleão Bonaparte pedia um perfil napoleónico.  Um Gengis Khan precisa de fotogenia.  Ou então um John Kennedy.  O que era o presidente assassinado senão o queixo forte, plástico, histórico?  Ele venceu Stevenson e depois Nixon porque tinha as mandíbulas crispadas do Poder.  Por isso, o tiro arrancou-lhe o queixo.

Outro:  Churchill, com a sua maravilhosa cara de buldogue.  Em todos os citados, cara e nome, justapostos, explicam uma nítida pre-destinação. Fiz essa pequena introdução para chegar ao nosso presidente.  Quando começou o jogo de candidaturas, disse eu:  "Ganha esse, pelo nome e pela cara".  Não é impunemente que um homem se chama Emílio Garrastazu Médici.

Tiremos o Emílio e fica Garrastazu.  Tiremos o Garrastazu e ficará o Médici.  Bem sei que essa meditação sobre o nome pode parecer arbitrária e até delirante.  Não importa, nada importa.  Depois vi a sua fotografia.

Repeti, na redacção, para todo o mundo ouvir:  "É esse o presidente". Ora, numa redacção há sempre uns três ou quatro sarcásticos.  Um deles perguntou:  "Só pelo nome?".  Respondi:  "Pelo nome e pela cara".

Como já disse, a história e a lenda também exigem uma certa fotogenia. E senti que Emílio Garrastazu Médici tinha um perfil de moeda, de cédula, de selo.  Organizem uma retrospectiva presidencial e verão que os nossos presidentes são baixos.  Getúlio era baixíssimo, embora tivesse um perfil histórico e, digamos, cesariano.  Epitácio foi fisicamente pequeno.  Era a pose que o fazia mais presidencial.  Garrastazu Médici é o nosso primeiro presidente alto.

Dirão vocês que eu estou valorizando o irrelevante, o secundário, o fantasista. Desculpem o meu possível equívoco.  E se me perguntarem porque estou dizendo tudo isso, eu me justificarei explicando:  conheci, domingo, o presidente Emílio Garrastazu Médici.  E o pretexto para o nosso encontro foi um jogo de futebol.

Outra singularidade do chefe da nação:  gosta de futebol e sabe viver, como o mais obscuro, o mais anónimo torcedor, todas as peripécias dos clássicos e das peladas.  Isso é raro, ou melhor dizendo, isso é inédito na história dos presidentes brasileiros.  Imaginem um Delfim Moreira, ou um Rodrigues Alves, ou um Wenceslau Brás entrando no estádio Mario Filho.


Qualquer um desses perguntaria:  "Em que time joga o Fla-Flu?", "Quem é a bola?" ou "O córner já chegou?".

O nosso presidente sabe tudo de futebol.  Eu diria que hoje nenhum brasileiro será estadista se lhe faltar a sensibilidade para o futebol.

Mas dizia eu que foi um jogo  - São Paulo X Porto -  que nos aproximou. Na sexta-feira passada, o Palácio das Laranjeiras começou por me procurar. Se eu fosse terrorista, não seria tão perseguido.  Finalmente, falo pelo telefone com o Palácio.  O secretário de Imprensa queria me transmitir um convite.  Onde e a que horas poderia falar comigo?  Marcamos o encontro.

Simplesmente, o presidente Médici me convidava para assistir, a seu lado, na inauguração do Morumbi, o jogo internacional.  Eu iria, com S. Exa., no avião presidencial.  O presidente fazia o maior empenho em que o acompanhasse.

Confesso, sem nenhuma vergonha, que o convite me fascinou.  O que têm sido as nossas relações com os presidentes da República?  Nada.  Sim, há entre nós e o presidente uma distância infinita, espectral.  E o Supremo Magistrado, como se diz, é um ser misterioso, inescrutável, sinistro. No meu caso, o presidente se dispunha a acabar com a distância e me receber na áspera solidão presidencial.

 De mais a mais, o Brasil vive o seu grande momento.  Eis o nosso dilema: o Brasil ou o caos.  O diabo é que temos a vocação e a nostalgia do caos.

É o momento de fazer o Brasil ou perdê-lo.  Esse Garastazu Médici é, neste instante, uma das figuras vitais do país.  Eu ia vê-lo, ia ouvi-lo.

Sim, ouvir os ruídos da sua alma profunda.  Todo o mundo tem, no bolso do colete, o seu projecto de Brasil.  Garrastazu tem o seu e pode realizá-lo.

Ao passo que nós não temos força para tapar um cano furado.  Bem.  Aceitei o convite, ressalvando:  iria de tudo, menos de avião. "De automóvel?", perguntou o secretário de Imprensa.  E eu:  "De qualquer coisa"  - e repeti -  "nunca de avião".

Sábado, o meu filho Nelson levou-me para São Paulo no seu Fusca.  Durante a viagem, uma pequena mas intolerável inibição instalou-se em mim:

"Chamarei o presidente de 'excelência' ou simplesmente de 'senhor'?". Ao mesmo, imaginava que o Poder desumaniza o homem.  Seria Garrastazu uma figura áspera, hierática, enfática?  Pensava, ao mesmo tempo, num episódio recente.  No jogo do Grémio, e antes de ser presidente, e antes da definição das candidaturas, o general Garrastazu Médici desce ao vestiário.

Vejam se vocês conseguem imaginar um Delfim Moreira, ou um Epitácio num vestiário de futebol.  Pois o general chega e pergunta:  "Como é, Alcino, que você vai me perder aquele gol?".  No Fusca do meu filho Nelson, eu queria crer que um homem assim é um brasileiro vivo e não uma pose, e não uma casaca, e não uma faixa, e não uma condecoração.

No dia seguinte, estava eu no aeroporto.  Tivemos uma primeira conversa e, durante o dia, uma outra, e uma terceira, e uma quarta.  Vi a seu lado a inauguração (ou a décima inauguração do Morumbi).  Ora, no momento não há nada mais importante do que saber o que pensa, o que sente, o que imagina, o que quer um presidente da República, investido de tantos poderes.  No meio do jogo, ele insistia para que eu voltasse no seu jacto.  Digo, por fim:  "Está certo, presidente.  Vou voar pela primeira vez".

É preciso não esquecer o que houve nas ruas de São Paulo e dentro do Morumbi.  No estádio Mário Filho, ex-Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, como dizia o outro, vaia-se até mulher nua.  Vi o Morumbi lotado, aplaudindo do presidente Garrastazu. Antes do jogo e depois do jogo, o aplauso das ruas.  Eu queria ouvir um assobio, sentir um foco de vaia.  Só palmas.  E eu me perguntava:  "E as vaias?  Onde estão as vaias?".  Estavam espantosamente mudas. Até Domingo, às seis e meia, sete da noite, eu não entrara jamais num avião pousado, num avião andando, num avião voando.  Lá em cima, não há paisagem;  e, se não há paisagem, estamos fazendo a antiviagem. Conversámos longamente.  Houve um momento em que ele me disse:  "Sou um presidente sem compromissos.  Só tenho compromissos com a minha pátria".

Eis um homem que fala em pátria, em "minha pátria".  Para a maioria absoluta dos civis, "pátria" é uma palavra espectral, "patriota" é uma figura espectral.  E as nossas esquerdas fizeram toda a sorte de manifestações.  Não berravam, não tocavam na "pátria".  Nas passeatas, berravam, em cadência:  "Vietnã, Vietnã, Vietnã".  Pichavam os nossos muros com vivas aos vietcongs, a Cuba.  Nenhuma alusão à pátria, nenhuma referência ao Brasil.  E, no entanto, vejam vocês:  o Amazonas tem menos população do que Madureira.  Aquilo é uma gigantesca sibéria florestal. E as esquerdas só pensavam no Vietnã, e só pensavam pelo Vietnã e só bebiam pelo Vietnã.

Certa vez, conversei com um membro da esquerda católica.  Exortei-o a desembarcar no Brasil.  Disse-lhe que, na pior das hipóteses, temos paisagem.  Citei o Pão de Açucar, o Corcovado.  Mas ele batia na tecla obsessiva e fatal:  "O Vietnã, o Vietnã, o Vietnã" etc. etc.  Ainda no meu élan paisagístico, fiz a apologia da Vista Chinesa, recanto ideal para matar turista argentino.  Mas havia entre mim e ele a distância que nos separa do Sudeste Asiático.  Eis o que o meu amigo propõe:  que os brasileiros bebessem o sangue uns dos outros como groselha.

Antes de se despedir, o membro da esquerda católica concentrou sua ira nas Forças Armadas.  Acusou-as de incapazes, de ineptas, de relapsas.  "Os militares nunca fizeram nada", afirmou.  Desta vez, perdi a minha paciência.  Tratei de demonstrar-lhe que os militares fizeram tudo.  No Sete de Setembro (e Pedro Américo não me deixa mentir) foram sujeitos de esporas e penacho que deram o grito do Ipiranga;  e, se os militares não fizeram nada, que faz a espada de Deodoro na estátua de Deodoro?  Foi a inépcia militar que fez a República, assim como fizera a independência.

Em 22 e 24, era o sangue militar que jorrava como a água, a água da boca dos tritões de chafariz.  Em 30, em 32, em 35, foram os militares.  Assim em 89.  Retirem as Forças Armadas e começará o caos, o puro, irresponsável e obtuso caos.

Há anos e anos que eu não digo "pátria".  E quando o presidente Garrastazu falou em "minha pátria", experimentei um sentimento intolerável de vergonha.  Esse soldado é de uma natureza simples e profunda.  Está disposto a tudo para que não façam do Brasil o anti-Brasil.  Seja como for, deixará este nome, para sempre:  Emílio Garrastazu Médici."

Nelson Rodrigues



Fascista
Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal
 
No caderno dos leitores no jornal O Globo (nesta semana), o leitor Jayme Ferrari foi direto ao ponto: “O pastor Feliciano foi eleito com 200 mil votos e escolhido para a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Por que o escarcéu? Jamais votaria nele, mas me causa mais indignação os deputados João Paulo Cunha e José Genuíno, condenados a penas somadas de 17 anos de cadeia, integrarem a Comissão de Justiça (!) da Câmara. Cadê a militância barulhenta gritando contra esse absurdo? Cadê a UNE? E a turba “progressista”? Progressismo bom é dos amigos”.
 
Ninguém precisa ter um pingo de simpatia pelo pastor Feliciano (meu caso) para compreender o perigo que estamos vivendo. Há uma minoria, uma patota muito organizada, que pensa que pode mandar no grito! São fascistas em potencial ou já formados. Não aceitam as regras do jogo, não toleram a democracia. O jornalista Reinaldo Azevedo escreveu um importante artigo sobre o assunto, mostrando o desrespeito dessa gente ao Estado Democrático de Direito. São os “fascistas do bem”, e precisam ser contidos antes que seja tarde demais.
 
Não chama a atenção do prezado leitor o fato de que toda essa grita é voltada apenas para o pastor Feliciano, e não haja um único movimento organizado contra os petistas condenados no Congresso, ocupando comissões importantes como a de Justiça? Se o leitor assinou aquela petição contra Renan Calheiros pela Avaaz, saiba que essa ONG, liderada por um esquerdista convicto, não faz campanha contra um único petista! Onde estão as petições pela prisão de Dirceu, pela derrubada de Genoíno e Cunha? Ninguém sabe, ninguém viu.
 
Atentai para este fato, estimado leitor! O duplo padrão “moral” é evidente. Há um grupelho minoritário, porém muito bem orquestrado e barulhento, que pretende solapar as instituições democráticas e governar no grito. Onde foi que já vimos isso antes? Sim, naquele nefasto regime: o fascismo!

Rodrigo Constantino é economista.

   
CONVITE

Dia 09 de abril de 2013 (3ª feira), às 19:30 horas, no Círculo Militar de Belo Horizonte (Av. Raja Gabaglia, 350), será realizada uma cerimônia integrada pelos seguintes eventos:

- exposição de matérias sobre a Contra-revolução de 31 de Março de 1964;

- canto do Hino Nacional;

- culto religioso (eucumênico) celebrado pelo Monsenhor Pedro Terra Filho, na intenção das almas daqueles que tombaram vítimas do terrorismo;

- leitura dos nomes dos mineiros que morreram - militares e civis, defendendo os ideais do Movimento de 31 de Março de 1964;

- toque de silêncio;

- curtas intervenções daqueles que participaram do Movimento de 1964, citando detalhes de interesse;

- pequena palestra, a cargo do General de Exército Valdesio Guilherme de Figueirado (ex-ministro do STM), discorrendo sobre os acontecimentos da época e ressaltando a necessidade de nos unirmos face ao tradicional inimigo.

Pedimos que convide seus parentes e amigos para que compareçam, demonstrando assim que estamos de cabeça erguida e que manteremos o espírito de luta até a vitória final.

Contamos com sua presença e de seus convidados!

Observação- Os veículos dos que vierem poderão estacionar nas quadras internas do Círculo Militar, entrando pelo portão acima da Portaria do Clube, situado na esquina da Av. Raja Gabaglia com a Rua Américo Macedo ( esta, na lateral do Quartel General da 4ª Região Militar).

Pela Diretoria do Grupo Inconfidência

- Cel Reynaldo de Biasi Silva Rocha
- Cap Iracy Firmino da Silva
- Cel Carlos Cláudio Miguez
- Cel Waldir Abbês